sábado, 9 de julho de 2011

Morri

Morri. Meu último pensamento enquanto estava viva foi: “Por que não tinha em casa, bem à mão, uma pistola, revólver ou mesmo uma espingarda de chumbinho? Eu teria me defendido, teria com certeza espantado os caras assim que entraram no meu jardim...”

Por que me deixei seduzir pela ladainha vigente, difundida alegremente pela tv, que assegura que desarmando “todo mundo” os bandidos que portassem armas seriam facilmente pegos? E que uma cidade, estado ou país se veria livre da violência tão logo os cidadãos de bem entregassem suas armas de defesa? Que as estatísticas seriam bem mais “amigáveis” se “todos” ganhassem uma merreca para entregar suas armas de fogo às autoridades policiais?

Cedi às pressões do bom-mocismo, do politicamente correto, da “cidadania”. Nem me lembrei de perguntar por que, nos países onde a posse de uma arma é um direito, como os EUA, os índices de criminalidade são muito mais baixos do que no Brasil? Ou por que nos países onde criminosos são detidos, julgados, condenados e presos, onde não há distorções no trato com as leis, onde a Lei é mantida, temida e aplaudida, os criminosos pensam duas vezes antes de cometer um homicídio?

Dois dos caras eram “de menor” - o que de antemão, no nosso País, lhes dá grande liberdade para cometer qualquer tipo de delito, já que não vão pagar pena alguma – a não ser ficar no ócio durante algum tempinho em uma dessas repúblicas de jovens bandidos que foram apelidadas de “fundação Casa” (só se for a da Mãe Joana, né?).

Os caras chegaram arrebentando, chutando a cachorrinha e esganando a pobre, pegando esta velha pelo pescoço, gritando “onde tá a grana”, batendo, dando socos, porrada braba, até que um deles, vendo que não havia dinheiro, tirou do cinto uma 9 mm e...

Meu último pensamento não me dá nenhuma chance de ir para o Céu. Meu último pensamento me remete diretamente ao inferno: “Por que entreguei a arma que seria minha defesa? Eu poderia ter dado um teco nesses bandidos logo que passaram do portão (que pularam, sob os latidos frenéticos da boa cachorrinha Donna). Mesmo que ainda assim eles continuassem o assalto, eu pelo menos teria a alegria de não morrer sozinha, mas levar um, dois ou os três criminosos comigo”.

Mas morri. Os dois menores, “crianças que podem ser recuperadas”, confessaram e foram para a tal “Casa”, onde terão cama, comida, roupa lavada, tv e até mesmo drogas à vontade. O outro, maior, já tinha “várias passagens” pela Polícia, já tinha sido preso, e estava solto para passar um feriado com a “família” (o bando de criminosos do qual faz parte, com certeza). Este vai pegar 30 anos, vai cumprir 5 anos – se não sair antes num feriado qualquer... para matar outra velha – e desaparecer.

sábado, 2 de julho de 2011

Se piorar, internem

Acho que a formação acadêmica em Letras, e os (muuuuitos) anos de jornalista me subiram à cabeça – não no sentido formal, mas metaforicamente. É que dei pra ficar revisando até mesmo textos falados da tv. A coisa é braba. É feita de imediato, sem sentir: quando por exemplo ouço o apresentador ou repórter ou celebridade falar que traz “novidades do bastidor”, meu rapidíssimo pensamento emenda: “bastidores!” e algumas vezes ainda aproveita pra xingar: “bastidores, seu analfabeto!”.

Uma coisinha que me deixa cabreira é a mania de falar “e também”. Ora, “e” já quer dizer “também”. Fica esquisito quando a gente ouve “o casal Tom Cruise e também Kate Holmes...”, ou “ele foi indiciado por roubo e também fraude...” Não quero comprar briga com os paulistas - looonge de mim! he he he! - mas como acompanho tv há tantos anos notei que a coisa começou quando a Globo praticamente se mudou pra São Paulo, pra fazer raiva ao Brizola. Até ali, a importância da tv de São Paulo era mínima (quase só local), e quem tinha importância nacional era a Globo (com respingos de audiência para o Silvio Santos; ele, não a tv dele).

Quando parte do jornalismo da Globo foi pra lá, é claro que as redações se encheram de paulistas. Com isso, acabou por prevalecer o modo gramatical paulista. E como para eles o “a, e, i, o, u” é pronunciado “a, ê, i, ô, u” (contra tudo e contra todos, ou seja, contra o que se pronuncia no resto do país), foi-se gradualmente integrando à língua falada na tv expressões, gagues e sotaques totalmente paulistas. Nada contra, quando não se evidencia um erro crasso. Como “bastidor”, que na verdade é um equipamento composto de dois arcos, que se usa para fazer bordados, em lugar de bastidores (lugares ou fatos paralelos à cena teatral, ou de tv). O termo é usado ainda para curiosidades que o público não conhece – numa interpretação livre do significado literal e original do vocábulo.

Tem mais: a mania de começar qualquer frase com “então!”; o uso incorreto da palavra “literalmente”; a repetição irritante da expressão “com certeza”; a utilização já quase automática de coisas como “tipo assim” e “meio que”.

Bem, imaginem o meu sofrimento: fico a corrigir cada um dos textos mal falados - e também os mal escritos nos letters da telinha. Mas prometo: se a coisa piorar, eu mesma peço aos meus filhos pra me internar. Desde que não esqueçam de colocar a tv e a gramática na minha bagagem para a Casa de Repouso (manicômio).

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Chamem o Delegado Ricardo Pavão!

Pra esse a gente tem de tirar o chapéu de Panamá com fita de oncinha! Toda vez que uma novela da Globo precisa de um delegado - pra prender e arrebentar, ou pra acochambrar, ou pra ficar de preguiça enquanto o circo pega fogo - quem é que a Globo chama? Quem? O indefectível Ricardo Pavão, talvez o ator de contrato global que mais se parece com... um delegado, ora!

Agora foi ele quem prendeu - com vontade visível de arrebentar também - o canalha do Horácio Cortez, na novela das 9h. Competente, autoritário, poderoso, orgulhoso, Pavão mostra há anos, em várias ocasiões, que tem o physique du rôle pra este papel sempre importante, e que quase sempre aparece no final da novela, como a imagem daquilo que todos queremos: Justiça.

Quero dizer que conheci o Ricardo Pavão quando tinha uma banda de rock - com o João, o Marcello Gallo, e outros - e era figurinha fácil em Santa Teresa, onde se criou. Era - é - bonito, charmoso, bom cantor, e ainda estampava uma leve parecença com o John Lennon - que fazia muito sucesso com as "minas" (era assim que se chamavam na época as gatinhas, e também as cachorrinhas - que na época não se distinguia umas de outras com facilidade). Hoje, como sói acontecer, ele está melhor e ainda mais bonito, pois os homens ficam mais charmosos quando grisalhos (vide Fagundes),
enquanto as mulheres... prefiro não comentar... Vejo no facebook dele que continua na música, e o nome da banda é Oscaravéio. Um achado!

Pavão e outros bons atores que não estão entre os galãs protagonistas, mostram como a Globo se preparou, se armou, através de décadas, para ser e manter-se como a melhor produtora de novelas do mundo. É assim: eles têm sempre um Coringa - um ator preparado pra entrar em qualquer papel, em qualquer urgência. A novela está em ritmo de chove-não-molha? Chamem o Tarcisão... ou a Susana... ou qualquer outro dos tantos medalhões salvadores de audiência. A novela precisa de um delegado com cara de delegado? Chamem o Ricardo Pavão!

PS - Acho que isso está faltando à Record: armar-se, preparar-se, ir ao mesmo tempo fazendo hoje e se preparando para o amanhã. A Record tem tido certo êxito, mas faltam: atores jovens, novos para a platéia - e não apenas os que saíram da rival; mais bons maquiadores, iluminadores, diretores, produtores, mais câmeras criativos. Mas o que mais faz falta - em todas as emissoras, até mesmo a Globo, para todos os programas, sobretudo séries e novelas -, o que mais a gente, daqui do sofá, sente falta, são bons autores. Façam concursos, criem oficinas, façam o diabo, emissoras de tv, mas preencham seus quadros de redatores e autores. Não fiquem apenas nos filhos e sobrinhos dos atores e autores antigos, façam concursos - e cursos - para ter novos quadros. E criem um jeito de renovar, principalmente, seu cartel de autores. Senão a vaca vai pro brejo.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Propaganda sem noção

Pode ser bom. Pode ser muito bom. Pode ser Pepsi.
Tá... Será que nenhum dos diretores presentes à reunião que aprovou esta pérola se lembrou de que Pepsi pode facilmente se tornar Pépssimo?
Toda vez que vejo/ouço essa peça infeliz escuto assim: Pode ser bom. Pode ser muito bom. Pode se pépssimo! O que prova que o anúncio é... péssimo! Mas há outra prova: logo no primeiro da série, o pode ser bom era ilustrado por uma garota muito boa, sim, mas... mascando e arrebentando um chiclete! Ou seja: uma coisa realmente péssima... ou Pépssima!

Outra pérola - e um exercício de imaginação inimaginável - é o filminho em que a Sandy, a Sandy!, é a estrela da cerveja Devassa! Insatisfeitos com a caretice de Paris Hilton, os gênios da propaganda nos enfiaram goela abaixo o "conceito" patricinha também pode ser safada. E a carinha bonitinha da Sandyzinha, coitadinha, dá uma meia - atenção: só meia! - piscada de olho e um meio - sim, 1/2! - sorriso, com isso querendo nos oferecer todo o seu "lado devassa". Por incrível que pareça, é este mesmo o textículo: "todo mundo tem um lado devassa!" Aliás, sem esse ponto de exclamação, como se fosse a declaração de uma cientista ou psicóloga, papel que cairia bem melhor na Sandy. O filme inicial tinha a sra. Lima dançando sobre uma mesa. Como nos outros não aparece mais, imagino que o sr. Lima interveio. A meia piscadela já seria suficientemente devassa para os padrões familares dos Lima - todos eles.

Cara, como a propaganda anda, se ela anda tão sem noção? Até há pouco tempo, a propaganda brasileira era considerada de primeira! Agora parece que a coisa desandou... Serão as faculdades as responsáveis?

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Lá entre elles

Um dos meus milhares de seguidores fiéis, hehehe, me enviou estas considerações, que procuro agora responder:

E aí? Bijux não vai falar nada sobre a panacéia que a imprensa televisiva está fazendo a respeito desse engodo no mundo islâmico? Todo mundo dizendo ser um movimento de liberdade, com o papel do facebook (até o Jabor veio com essa besteira), quando na verdade trata-se de uma tomada de uma força radical islâmica, altamente perigosa para a democracia?

Esta é a minha resposta:

Não sei se é por ignorância ou "meio de vida", mas azélite intelequituá insistem nessa tese - porque sai bem na foto (a esquerda adoooora se fingir de democrática, e analisar a História - do seu jeitinho escroto - no mesmo momento em que acontece: é compreensível, já que elles são "os donos da História" e decidem até mesmo quando ela começa e quando ela acaba -lembra do livro O Fim da História?).
Acontece que o andar da carruagem já mostra que elles estão longe da verdade... como vemos agora que árabes e persas enchem as ruas e praças também no Bahrein, no Irã e - qua,qua,qua! - também na Líbia, onde Kadafi, festejado pela esquerda doente como o ex-terrorista que ficou bonzinho (claro, com todo o poder, por 40 anos, num regime de terror interno, elle que praticou o mais sanguinolento terrorismo na década de 70!) E as ruas estão cheias também no Irã, por causa da evidente fraude na reeleição do Ahmadinejad e seus asseclas, no ano passado. Essa é a parte que deixa felizes os que analisam rasteiramente os fatos, como o Jabor: é sinal de busca de democracia! Qua, qua, qua - árabes, persas, muçulmanos em geral, não estão nem aí para a democracia, que nem sequer entendem direito.
Tá todo o mundo muçulmano na rua, não é por revolta contra essas ditaduras (disfarçadas, porque fazem eleições - "livres" - para eleger quem lhes satisfaça os objetivos). Estão nas ruas porque: 1 - já encheram o saco de viver mal, sem conforto e sem dinheiro (mas não porque não têm liberdade, pois este conceito não faz parte da vida de quem se submete aos ditames do Corão), e 1 - estão sendo manipulados para acreditar que, se o negócio é fazer vencer o Al Corão, detonando os infiéis (nós, deste lado do mundo), o mais certo é colocar no poder quem tem mais intimidade com as leis lá delles: os aiatolás.
A longo prazo - e talvez seja muuuuito longo - a nossa sorte - do Ocidente democrático judaico-cristão - é que elles não se entendem. Xiitas, sunitas, Hamas, Resbollah, Al Fatah (ainda existe!) e outras divisões entre elles farão com que acabem por detonarem-se uns aos outros. Oxalá!!!
Mas... por que a imprensa e o jornalismo televisivo brasileiros adotam essa postura de analisar como "busca de democracia" o que é tão somente a manipulação do povo árabe para que venha a aceitar ainda menos democracia? É que azélite intelequituá, presente no jornalismo, é, em sua maioria acachapante, "de esquerda". E a esquerda internacional se comporta como se a confusão islâmica fosse uma vertente - poderosa vertente - de sua (della, esquerda) "luta" para detonar valores e modos de vida "ocidentais" - que, no entender dos esquerdopatas, são ao mesmo tempo a causa e o resultado do sempre odiado (por elles, claro) capitalismo. Não se importam, os periculosos esquerdopatas, se o estímulo dado aos fanáticos de todo tipo, e aos terroristas, através de uma imprensa e uma mídia corrompida, mal informada (propositalmente) e parcialíssima, acaba por resultar em milhares - mais pra frente, serão milhões - de mortos. Não se importam porque colecionam cadáveres: desde os de Stalin até os de Fidel e, hoje, as vítimas do terrorismo e da beligerância interna dos islâmicos.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Só o Rio é assim

Só o Rio é assim. Não sei se lembram, mas há pouco tempo havia um anúncio sobre a cidade, creio que da Riotur, no qual se destacava a voz inconfundível de Malu Mader. Mostrava as belezas, as praias, a gente, o sorriso, o jogo de cintura, o samba no pé e declarava filosoficamente: Só o Rio é assim...

Só o Rio é assim. No dia seguinte ao incêndio na Cidade do Samba, que destruiu quase tudo do Carnaval da União da Ilha e da Portela, e acabou com a Grande Rio, sem estrelismos, sem jogar para a plateia, mas com sinceridade evidente, vimos: 1º - o povo do samba se dando as mãos, arrumando jeitinhos, desenhando tudo de novo, mais simples, e botando pra quebrar nas oficinas para assegurar o desfile de sua escola. 2º - o povo se esbaldando nas suas quadras, cantando seus sambas com alma, sorriso largo, ensaiando as coreografias, bateria afiada e harmonia ainda mais afinada. 3º - a presença e a atuação imediata do prefeito Eduardo Paes. Sem choro nem mágoa. Só no sapatinho. No molejo, na batida, na levada, no jeito de ser carioca.

Vejo falar muito do governador Sergio Cabral - vejo na Veja - com um certo ar paulista de superioridade. Pouco vejo sobre o Paes - porque ninguém quer botar azeitona na empada de ninguém, né? No entanto, tenho umas coisinhas a dizer sobre os dois - e peço que os que lêem se abstenham de conceitos mal fundamentados e mal digeridos sobre eles.

Vamos pensar no que aconteceu com o Rio nos últimos 28 anos. Em 82, elegeu-se o gaúcho Brizola, que quis mostrar serviço - e mostrou, mas praticamente apenas na Educação (que depois, no segundo mandato, esculachou). A segurança com Brizola era questão de lugar: o crime fica por lá, o cidadão fica por aqui, e todo mundo finge que não vê. Depois, como contraponto, o Moreira Franco se elegeu prometendo "botar a PM pra subir os morros". Era o que ele entendia como combate a uma criminalidade que, claro, avançou com o primeiro governo do Brizola. Mas aí deu-se a oportunidade de incrementar uma corrupção que sempre existiu nas polícias. Fora o fato de que cada vez se viram mais pessoas atingidas por balas perdidas, e as denúncias de violência policial tomavam as páginas dos jornais.

Vieram em seguida: Marcelo Alencar, o Bêbado, e o segundo governo do Brizola - aquele em que ele estava entediado, tinha perdido pra presidente, que era o que ele queria, e tinha sido obrigado a engolir o que ele chamou de "o sapo barbudo" - Lula. Acho que foi aí que veio, para cúmulo da desgraça, a sra. Benedita da Silva, creio que num mandato-tampão (eu estava fora do Rio, não acompanhei, mas me lembro da história do zepelin que ela botou pra vigiar o tráfico, hehehe).

Mas nenhuma tragédia é completa. Faltava o pior: os Garotinhos. Três mandatos dessas figuras, Antony e Rosinha - ela, reeleita - acabaram de vez com a Cidade Maravilhosa. Com o auxílo luxuoso do indefectível Cesar Maia, que governou de frente ou por trás por quase 16 anos. O Garotinho tomou posse e acabou com a "banda podre" da polícia civil - só para instalar sua própria banda, em voo solo, tendo à frente o bonitão e bandidão Álvaro Lins.

O Rio já sofreu demais, e agora se agarra à esperança de que Cabral e Paes façam milagres - até porque o Rio sabe que estes dois têm de pavimentar o seu caminho na política nacional. É, bebé, só não vê quem não qué.

Eu também me agarro. Todo apoio a Cabral e Paes. Se eles querem escrever seus nomes na história do Rio, estão com a faca e o queijo na mão.Uma enorme aceitação popular - que pode se traduzir em votos em 2014 (ou vocês acham que o PMDB vai continuar sendo assessoria do PT?). Eu posso estar errada, mas... dado o quadro desenhado, e tudo o que o Rio já passou, e as atitudes de Cabral e Paes - nunca ausentes: você pode não gostar da resposta deles, mas eles estão lá dando respostas -, dada a enorme boa vontade e alegria do povo carioca, e os recursos abundantes de samba, paisagens, praias, mulheres, comida, céu, sol e mar, eu sei que o Rio só vai crescer, só vai se dar bem. Porque só o Rio é assim: sai da lama para sambar coberto de ouro.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

TV pra quê? Pra que TV?

Tenho encontrado muitos comentários por aí - não no meu blog, porque, como vêem, praticamente ninguém achou algo relevante para dizer dos meus escritos -, comentários sobre televisão, invariavelmente negativos. Algumas pessoas mais educadas me perguntam simplesmente "por que escrever sobre tv?", e fazem aquela cara de desdém de quem jamais se ocuparia de tarefa tão... tão... tão inglória? tão inútil? tão sem graça? Não sei: os que desdenham da tv e seu papel na nossa vida social não precisam nem responder, pois basta aquele seu ar de superioridade para nos fazer sentir o peso de seu desprezo.
No entanto, essas mesmas pessoas, claro, não conseguem escapar da tv. E aí elas "esclarecem": "vejo só os jornais", ou "não vejo novelas", ou ainda "só vejo a tv por assinatura".
A verdade é que TODOS vemos tv, em um ou outro momento. E se você só vê os jornais, com certeza terá suas críticas sobre o modo como o jornalismo televisivo - em qualquer emissora - passou a ser apenas um coadjuvante do que querem ver divulgados o governo e as instituições sequestradas pelos que detêm o poder.
Se você não vê as novelas, é uma maneira muito sábia de se descomprometer, e ultimamente é mesmo uma maneira de evitar ver coisas das mais imorais e desagradáveis - como adultérios, assassinatos, prostituição etc, já que nenhum autor consegue escrever uma novela sem estes "ingredientes". Mas quando você generaliza, perde a oportunidade de ver algumas peças bem bonitas, bem feitas e artísticas, como a atual novela das seis da Globo, Araguaia, ou a minissérie Sansão e Dalila, recém apresentada pela Record.
Mas quem vê "apenas as tvs por assinatura" se acha - porque tem cacife para pagar nets, skys e afins. Estes são os mais tontos, primeiro porque estão pagando pelo que deve ser gratuito, já que acabam por ver também a tv aberta, por absoluta falta de opção nos canais pagos. Como a assinatura - e o equipamento receptor - não distingue uns de outras, e a programação dos canais pagos é também uma lástima, este cidadão que faz questão de pagar mostra ser duas vezes mais imbecil do que os que colocam aquela anteninha de 14 varas, ao precinho único de 50 reais, para ver só a tv aberta... tão ruim hoje em dia quanto qualquer outra.
Então,por que escrever sobre tv? Porque considero a tv um grande instrumento de diversão, de educação, de informação... mesmo que hoje ela esteja sendo vilipendiada, e usada para disseminar comportamentos e ideias as mais esdrúxulas.
Não me esqueço de que, durante a ditadura militar, as pessoas saíam mais cedo do trabalho só para ver o "Viva o Gordo", ou o Chico Anísio, que eram nossa válvula de escape, eram os programas - entre outros - que faziam humor de verdade, e peitavam o governo mostrando seu lado ridículo. Havia também excelentes programas de MPB - havia ainda a MPB - excelentes cantores, excelentes orquestras. E as novelas eram bem mais inocentes do que essas peças imorais de hoje. A tv teve papel importante na redemocratização do País, a tv tem papel importantíssimo na educação e na cultura, na transmissão de informação, na evolução do povo. E se neste momento - e já há algum tempo - não vem cumprindo este papel, ou, pior ainda, vem tratando de subjugar e dirigir as mentes dos telespectadores pelos piores caminhos possíveis, aí é que é hora de escrever sobre isso. De não deixar a peteca cair, não deixar que transformem a tv numa coisa nojenta, canalha, absurda, imoral. É por isso que escrevo. Enquanto ainda posso.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

E a musiquinha, hein?

Lavando louça, ouço o som vindo da sala, melhor, da tv. E imediatamente sei do que estão falando. É a musiquinha triste - cordas enlanguecidas de violoncelos dramáticos, sopros fraquinhos de flautas amargas, notas esparsas e es-can-di-das de pianos torturados. A musiquinha é parte importante, talvez a mais importante, da cobertura jornalística das desgraças ocorridas na serra fluminense, ou em Sampa e Guarulhos, e ABC, ou em Santa Catarina, no Pará...
O Brasil está sob as águas de chuvas e barragens destruídas. Petrópolis, Teresópolis e Friburgo, sob a lama de bairros inteiros desabados e levados pelas enxurradas. E o jornalismo das redes de tv, lastimavelmente, apenas nos oferecem arremedos de informação - e por isso é que têm de preencher o tempo, e fingir que estão nos dando cobertura, apresentando-nos os espetáculos de solidariedade, as histórias familiares, os salvamentos heróicos, as doações em número jamais visto antes etc. E dê-lhe musiquinha... para nos entristecer, nos deixar no clima para engolir tudo isso como um trabalho excelente das emissoras de tv.
É claro que repórteres, apresentadores, todos os envovidos, estão fazendo um trabalho digno de elogios, muito difícil e triste. Mas há alguma coisa que não bate aí...
Não sei sobre as outras cidades históricas e turísticas, mas sei de Nova Friburgo - um marco da época da Corte no Brasil e das primeiras imigrações, com a vinda de suíços, e depois dos alemães, para estas plagas. O que aconteceu em Friburgo foi muito mais do que as tvs nos mostraram. Os bairros de Conselheiro Paulino, Floresta, São Geraldo (que sumiu do mapa), Olaria, Cônego, além dos distritos de Amparo (a poucos quilômetros da vila de São José do Vale do Rio Preto, município varrido pelo rio, e que foi bem mostrado na tv), S. Pedro da Serra, Lumiar, as localidades de Boa Esperança, Stucky e outras, enfim, quase toda a serra friburguense sofreu devastação, com grande número de mortos e desaparecidos.
Mas Globo e Record ficam paradas no centro das cidades atingidas, mostrando a incrível - é incrível mesmo - solidariedade que envolve essa gente sofrida. E como não têm mais notícias (porque não foram pautados pelos seus editores, nem receberam condições nem ordens para correr atrás), só fazem, coitados, desfiar a cada dia a macabra contabilidade de mortos, desaparecidos, desabrigados...
Sim, a solidariedade que vem de todo canto para socorrer o povo da serra é mesmo incrível, em volume, em número, em afeto. Mas seu encaminhamento para as vítimas não tem coordenação, organização, supervisão, fiscalização. É apenas um bando de gente bem intencionada tentando fazer o melhor que pode. Mas nenhuma tv fala sobre esse caos,e para nos tapear, todas põem a tocar a tal musiquinha...
O que está havendo, afinal? As tvs estão sozinhas e sem condições para uma cobertura mais apurada? O governador pediu - acho que ele nem precisou pedir, já é tácito - para não detalhar muito a coisa? Precisamos saber: como vão ser ajudadas pessoas que tinham casa e comércio há várias décadas, pagando um IPTU dos mais salgados, e perderam tudo? Quando começa a construção das casas para quem morava de modo irregular, sem pagar impostos, e está nos abrigos? Serão essas pessoas ajudadas da mesma forma? Não há diferença entre quem andou na legalidade e quem morou anos e anos sem contribuir para a municipalidade? Hein?
Não queremos crucificar autoridades, culpar prefeituras ou Estado ou governo federal, nada disso. Esqueçam as culpas, que as temos quase todos nós, de alguma forma. Queremos é saber, é ficar bem informados pela tv e jornais, é sentir que não há nada sendo escondido, que providências concretas estão sendo tomadas. Não novos equipamentos de alerta sonoro sendo testados e outras coisinhas para as próximas chuvas. Não. Queremos saber o que será feito para quem está destruído e mal pago - se é que me entendem - agora! E para isso contamos com as tvs, porque são hoje os veículos mais importantes de informação e propaganda. É isso: mais informação, menos propaganda. E, por favor, parem com essa musiquinha!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Datena, o homem-coragem

Muitos gostam dele, muitos não gostam. Creio que não se trata de uma questão de gosto, mas de necessidade. E coragem. José Luiz Datena cumpre uma árdua e necessária missão: informar diariamente, na maioria das vezes ao vivo, os fatos que acontecem na Grande São Paulo. E mostrar indignação, quando nós, aqui do nosso sofá, ficamos indignados. De mostrar irritação quando ficamos irritados. De falar com a dureza com que nós gostaríamos de falar com autoridades e políticos.
Irmãos, é preciso coragem! Datena foi o único que sobrou de cerca de seis programas que acompanhavam principalmente o noticiário policial de Sampa. Me lembro que havia programas semelhantes pelo menos na Record, SBT e Rede TV. Todos os outros "vazaram". É, é dureza mesmo estar diante das câmeras todos os dias, e mostrar matérias que irão com certeza chocar o distinto público. É dureza investir em equipamentos, vôos de helicóptero, uma equipe grande de repórteres, produção, direção... o engraçado é que a Band, que para nós parece ser menos abonada (tem menos grana) do que as outras, é logo a Band que aposta - e aposta certo - na cobertura diária do cenário paulista. E não só na cobertura jornalística, mas na ancoragem ousada e corajosa, além das enquetes relâmpago que nos fazem interagir com o programa Brasil Urgente.
Tem mais: enquanto as outras redes "botaram o galho dentro", como se diz aqui no Rio de Janeiro, Datena se cerca de gente competente, como o dublê de piloto e repórter Comandante Hamilton, e seu filho cinegrafista, Juan, além dos excelentes repórteres Marcio Campos, Fabio Barreto e outros (e outras).
Uma coisa não se pode negar: Datena tem peito. Uns gostam, outros detonam o programa, mas Datena é o homem-coragem da tv brasileira. E quero ver quem desmente isso ou apresenta outro mais audacioso. E, a propósito, por que será que não há programa semelhante nas tvs cariocas? Hein? Hein? O fato de o helicóptero da Globo ter sido alvejado ao sobrevoar favelas nos dá uma pista, não é não?

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Pra que? Pra ter Notícia?

Perplexa, vejo a repórter tentar entrevistar uma senhora exatamente no momento em que seu filhinho de dois anos passa carregado em um lençol, seu corpo resgatado sem vida depois de oito dias sob a terra. Por favor! Para que isso? O que esta tão mal orientada repórter esperava ouvir dessa mãe, depois que ela passou por todo o sufoco imaginável, e, salva, vê enfim seu filho, e imagina o que a criança deve ter passado também? O que está se passando nas mentes dos jornalistas, para que em certas ocasiões sejam tão lacrimosos, para logo depois expor uma dor sem fim sem nenhum constrangimento?
Os jornais precisam preencher espaço, as tvs, tempo, e ambos necessitam de nossa atenção para prosseguir informando - e faturando. Por favor, então, tragam notícias... e não nos façam mais chorar e nos indignar com a tragédia, em si, mas tomar conhecimento dos verdadeiros fatos: onde há outros desaparecidos, depois de 8 dias? Por que algumas regiões ainda permanecem isoladas? Quais as providências urgentes que estão sendo tomadas - e que todos noticiam vagamente, milhões pra cá e pra lá, ma sem nos dar nenhuma pista de como serão gastos, e de quem vai tomar conta dos cofres?
Não queremos mais chorar por Friburgo, Petrópolis, Teresópolis, e regiões rurais vizinhas, nem nos comover com histórias que já nos levaram tantas vezes às lagrimas. Por favor, não repitam - e isso é com você, Record - tanto as mesmas reportagens apelativas.
Vou falar que nem aquela velhinha de um anúncio de supermercado, que quer preço... nós, telespectadores, queremos é... NOTÍCIAS!

domingo, 16 de janeiro de 2011

Réquiem e exortação

Trabalhei com o prefeito Paulo Azevedo, em Friburgo, em duas ocasiões. Na primeira, em 88, ele tomou posse no dia 1º de janeiro e em seguida teve de enfrentar uma catástrofe que ficou na história da cidade. Empreendedor, rápido, dono de uma incrível capacidade de liderança, Paulinho - como gostava de ser, e era, chamado - mobilizou todos os recursos da Prefeitura, e conseguiu feito inédito na época, que foi o apoio financeiro de seu partido, em dinheiro urgentemente liberado, para um sem-número de obras necessárias e urgentes.
Daí para a frente, nesse seu primeiro governo, ele dotou Nova Friburgo de barragens, estradas e ruas pavimentadas, escolas, ampliação e equipagem dos hospitais e postos, num esforço que fez a cidade progredir a olhos vistos, recebendo prêmios de excelência em Educação, por exemplo. O povo gostou, não havia reeleição, e o sucessor dele foi o também muito empreendedor Nelci da Silva, já falecido.
É, o povo gostou tanto que, depois de Nelci, Paulinho voltou para um segundo governo. O povo sempre gostou do Paulinho. Perdeu eleições depois, mas sempre teve uma multidão de friburguenses do seu lado. A maioria, por gratidão pelo tanto que ele fez por nossa cidade - sim, eu me incluo, porque apesar de ser carioca tenho Friburgo nas minhas raízes e no meu coração.
Fico triste a toda hora vendo a destruição da cidade. Mas sei de que matéria é feito o povo friburguense - de força, de garra, de consciência, de alegria de viver - desde os primórdios de sua história, quando os colonos suiços, heróis de uma época, desbravaram a mata para nessa serra se instalarem com suas famílias e seus sonhos. Sei que Friburgo não será destruída. Sei que Friburgo voltará a ser a mesma de sempre: linda, forte, voltada para o futuro. Friburgo vai dar a volta por cima. Com Deus.

É embromation chon, embromation...

Domingo, 11 horas da manhã, e duas redes de tv aberta - concessionárias que têm normas e regras a cumprir - apresentam, respectivamente: Record, desenhos animados antigos (acervo da emissora, cuja transmissão não lhe custa um tostão); Bandeirantes, programa de vendas (horário alugado à Polishop ou coisa que o valha).
Uma das normas a serem cumpridas pelas tvs abertas é oferecer programação 24 horas. No caso, Record não cumpre, sem gastar nem lucrar nada, contando fazer do público e das autoridades da Anatel um bando de otários, que engole essa de que apresentar cartoons antigos é apresentar programação. O caso da Band é pior, pois além de apenas não dar a mínima para normas, ainda sai lucrando e andando.
Uma grade de programação que ofereça programas em todos os horários implica em um gasto de investimentos, de fosfato para pensar, de trabalho, enfim. Quando essas redes - e há outras - não cumprem o estabelecido, elas estão: cometendo uma irregularidade e uma ilegalidade; covardemente renunciando a qualquer luta por audiência com as emissoras que já lideram há um tempão, e que, sem concorrentes, acabam por deixar cair o nível de seus programas, como temos visto; chamando todos nós telespectadores, de bobos, otários, inúteis, imbecis, ignorantes, acomodados, burros, e quantos impropérios mais mereçamos pela atitude pacífica e conformada diante dos crimes apontados aqui.
O Mundo gira, a Lusitana roda, e nós não ficamos sabendo de nada aos sábados e domingos até depois das 3 da tarde. Que tal jornalismo, documentários, informação em vez de embromação?

sábado, 15 de janeiro de 2011

O que fazer?

A pergunta está nos olhos dos que perderam tudo. Está nas lágrimas dos que vêem tudo na tv. Está na expressão de impotência dos homens da Defesa Civil.
A tragédia, chega-se agora à conclusão de que foi pré-moldada pela Natureza, pois todos os recursos naturais foram utilizados na devastação: as chuvas foram em bloco e demasiadas; os rios arrastaram as suas areias e a lama dos barrancos das margens, a mata antes fechada das montanhas, agora meio rara, fez sua parte desabando e destruindo tudo à sua passagem; os pequenos intervalos de sol serviram muito bem para solidificar o barro sobre casas e gente. A Natureza fez sua parte (mórbida e irrespondível) - mas... e o Homem?
A tragédia, agora se sabe, foi pré-estudada, mapeada, detalhada, há uns dois anos. Então... ???
Faltou a ponta que sempre falta em praticamente todos os estudos e previsões, e planos, e esforços de todo tipo para cada desastre natural de que o nosso país tropical é sempre uma vítima em potencial - até que se torna vítima real. Faltou AÇÃO. Ninguém pegou estes estudos e transformou em planejamento. Ninguém, depois de ter sido usada toda a tecnologia mais moderna, achou que era de sua responsabilidade entrar imediatamente (há dois anos!!) em AÇÃO.
Ninguém soube O QUE FAZER...
E por que isso acontece? Porque falta Ensino. Fala-se muito em Educação - demais, a toda hora, na tv então... Mas o que não temos, na verdade, é Ensino. Ensino é transmissão de conhecimento + transmissão de sentimentos sobre o conhecimento + ética + TREINAMENTO.
Na tv, os bravos apresentadores, todos eles fazendo um trabalho impecável (assim como todo o jornalismo de todas as redes), citavam os planos de emergência de países que têm sempre terremotos, enchentes etc. E acabavam por fazer sempre a mesma pergunta: por que não houve uma AÇÃO preventiva, e também, por que não houve uma AÇÃO rápida, coerente, organizada, às primeiras previsões de tempestades fortes em Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis.
Não houve, amigos, porque NÃO HÁ. Não há NUNCA.
Não há Ensino que treine as crianças - que adorariam isso, como uma brincadeira - em fazer coisas. Não há oficinas - a não ser as que chamam de "artesanato", benvindas, mas que sugerem sempre não a tendência à utilidade, mas à arte. Não há atividades que treinem meninos a serem rápidos, fortes e ágeis (como eles vêem no Big Brother, mas só entre jovens que são exceções: bem nutridos, bem nascidos, ou bem treinados).
Não há nas escolas Ensino de técnicas de diversos tipos que dariam aos jovens uma prática de se safar diante de obstáculos, e de decodificar o sinais da Natureza - e saber quando sair de um lugar, por exemplo, quando está ameaçado.
Não há Ensino que Treine os jovens para serem futuras autoridades civis ou militares conscientes - só se ensina a eles que autoridades são corruptas e militares ficam sem fazer nada até serem chamados para um Morro do Alemão,por exemplo.
Nossos jovens - com raras exceções - não vêem qualquer atrativo em serem médicos, enfermeiros, bombeiros, funcionários públicos de departamentos de ação junto à população, militares de carreira, meteorologistas, pilotos, e... PROFESSORES!!!
Minha querida Nova Friburgo foi devastada, toda a sua História vilipendiada, sua pacífica população violentada, e tudo o que todos se perguntavam, enquanto arregaçavam as mangas e trabalhavam forte para resgatar um número inacreditável de corpos, era: O QUE FAZER???

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Meio que...

A frequência de certas palavras e expressões, na tv principalmente, vai nos aborrecendo dia a dia, e sem querer, vamos colecionando coisas que são ditas para não dizer nada. Uma delas é o meio que... É, assim mesmo, com pontinhos, pois meio que… é expressão que meio que pode ser usada por qualquer um sobre qualquer coisa, quando a pessoa está meio que... confusa, ou meio que... sem graça, ou meio que não quer se comprometer, ou seu tempo está meio que curto, ou a paciência meio que esgotada.

Me lembro que há tempos a expressão para começar a falar era, invariavelmente: Seguinte… Por exemplo: o entrevistador pergunta quando chegou de Salvador, e o cantor falava: “seguinte... cheguei ontem”. A origem disso está numa expressão muito usada pelo pessoal do Pasquim da época, “o negócio é o seguinte”, que iniciava qualquer coisa a ser dita ou escrita. Agora, estamos na era do “então...” Podem reparar, já faz tempo que todo mundo na tv fala “então...”, e por extensão todo mundo na rua, no escritório, na casa da mãe Joana, fala “então...”

No meu tempo se chamava isso de “muleta” - um apoio para dar ao cidadão tempo de pensar e responder à pergunta. Mas o abuso disso, e o fato de coisas assim serem altamente contagiosas, acaba por nos causar sérios transtornos psíquicos – ou pelo menos este é o meu receio.

Se não, vejamos: há algum tempo, não havia declaração na tv – e depois, claro, nas ruas – que não começasse por “com certeza...” Isso depois de um breve reinado do “afinal...” E quando a coisa não era certa, vinha o substituto: “fala sério...”

Temos também vocábulos que servem para tudo. “Questão” é um deles. O governador diz: “É preciso avançar na questão do transporte público” - e pronto, está dito. O Judiciário se defronta com a questão da obrigatoriedade de mandar para casa presos perigosos. A prefeitura observa a questão dos engarrafamentos, que junto com a questão dos garotos malabaristas nos sinais, e a questão das obras, está trazendo para a Avenida das Américas uma questão de inferno diário.

Mas nada supera o “meio que...”. Tanto que vou encerrando porque estou meio que enjoada com tudo isso, pretendo meio que tomar um banho e depois meio que lanchar, pois que me encontro meio que faminta. Meio que até logo.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Algo de Podre

O Carlos Vereza nos sugere ler Hamlet, em seu excelente blog. Nada mais adequado, para quem não tem problemas com a leitura - hoje, creio, a maioria dos jovens. A obra é verdadeira aula emocionada e emocionante sobre relações de poder.
Vendo a foto de Dilma, a presidente, recebendo os cumprimentos do auto-proclamado "bispo" Edir Macedo, e seu fiel escudeiro na Record, Douglas Tavolaro, me ocorreu de pronto a frase célebre: "Há algo de podre no Reino da Dinamarca", claro, do Hamlet, de William Shakespeare. Nenhum outro alto representante de empresa de comunicação teve esta pachorra, de se apresentar no beija-mão. Tanto que o cerimonial correu a achar um lugar entre os estadistas estrangeiros para enfiar os dois. Para dizer a verdade, creio mesmo que muitos dos atuais capachos do poder nas tvs, jornais, rádios e revistas devem ter pensado "como não pensei nisso também?" Porém a nata do jornalismo - que isso existe, gente, existe imprensa boa, é só procurar - deve ter-se contorcido de risos (ou se revirado no túmulo, caso de Roberto Marinho, por exemplo, que mesmo apostando nitidamente todas as suas fichas em um político ou governante, nunca foi tão explícito, e procurou manter a dignidade).
Pena que isto tudo escape à maioria dos brasileiros. Me lembro de que na Escola Normal Carmela Dutra, em que me formei professora, certa vez ganhei um concurso porqúe fui a ÚNICA, é, a ÚNICA entre centenas de normalistas a escrever corretamente o nome do bardo inglês. Foi em alguma comemoração sobre Shakespeare, sob o comando do excelente professor jornalista Dimas Joseph, do Jornal do Brasil. Ele ficou tão entusiasmado, que me levou para estagiar no JB.
Digo isso pra vocês verem que mesmo naquela época distante já o ensino era ruim, e os alunos, desinteressados disléxicos comportamentais (gente que não lê direito de propósito porque não se interessa por nada, uma marca dos dias de hoje - e não só entre jovens). É dessas pessoas que nós somos reféns, muito mais do que dos políticos. Elas não têm bússola, radar, si mancol, nem faro, para desconfiar que alguma coisa está, como dizer sem ferir suscetibilidades? ... fedendo!

sábado, 1 de janeiro de 2011

O que será que será

Em veja.com, o colunista Ricardo Setti nos apresenta didaticamente uma lista dos piores momentos do ex-presidente, taxando de "herança", esta sim," maldita" o legado de Lulla à sucessora.

Sugiro que leiam, por que só esta resumidíssima lista já dá uma idéia do que foram estes oito anos para aqueles que ainda raciocinam, amam o conhecimento e a liberdade, têm compostura e dignidade, respeitam o próximo e têm amor e preocupação com as crianças.

O que virá agora? Brigas internas pra decidir quem é mais o quê, quem leva o quê, quem lucra o quê. Greves por todo canto, principalmente dentro do funcionalismo público, aparelhado, ocupado por petistas e seus cúmplices – quando a conjuntura nacional e internacional obrigar a presidente a fechar, por pouco que seja, as torneiras dos recursos públicos. Também teremos praticamente uma canonização da mulher como se fosse um ente à parte, puro e sublime, quando se sabe que desde que o mundo é mundo a mulher é sempre o pivô de guerras, tragédias, deturpações das leis, exploração da vaidade e de praticamente todas as mazelas morais humanas – talvez não por sua própria culpa, mas isso é outra história. Também, e justamente por causa da sublimação e santificação da mulher, teremos com certeza o aborto e a aprovação das leis que os gays querem para ter ainda mais poder. Teremos mais aproximação perigosa com os ditadores de sempre. E, last but not least, o fortalecimento do anti-americanismo – fazendo da rejeição a Obama por incompetência uma prova de que o capitalismo não se sujeita às teses tão inocentes e puras e generosas e solidárias das esquerdas, e não respeita um presidente “progressista” como o queniano que eles elegeram sem saber que não é americano.
Nossa sorte, acho, ou espero, é que elles são tão abjetos, vaidosos e mercenários que vão acabar se comendo uns aos outros (comendo no sentido metafórico estritamente ligado ao vernáculo, e não àquela gíria grosseira de implicações sexuais).

Quanto à cobertura da posse da eleita, faço côro com milhões de pessoas que ainda conhecem um pouco - e respeitam - a língua portuguesa: NÃO É PRESIDENTA, É PRESIDENTE!!!

Na transmissão pela tv, apenas o SBT usou a palavra certa, pois Globo, Band e Record apressaram-se a chamar a dita cuja de presidenta, estuprando a língua portuguesa sabem por qûe? Simplesmente porque a dita cuja pediu para ser chamada assim!!! Os jornais, que têm muito mais tempo de vida e seus nomes a zelar, e cujas manifestações linguísticas permanecem escritas para a posteridade – tendo, portanto muito mais responsabilidade com a língua pátria – praticamente todos, Estadão, Folha, O Dia … contornaram o problema dizendo que ela “tomou posse na presidência”. É uma forma de não se comprometer, mas em algum momento terão de nomear cargo e pessoa, e aí veremos o que farão. Já a Veja e O Globo, sempre mais corajosos (um pouquinho só…) disseram a coisa certa: Presidente Dilma Roussef. Vamos ter de redobrar a vigilância até mesmo com o uso da nossa língua! Haja Deus!!!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Minha Casa, Minha DíVida

Minha Casa, Minha DíVida… eis a grande obra de Sua Ignorância, agora desmascarada: só 10% de imóveis entregues! Aliás, “imóveis” é nome pomposo para obras de baixa qualidade: em São Paulo, nas chuvas de meados de 2010, os andares térreos dos apartamentos foram inundados! Em Pedra de Guaratiba, as torneiras são de plástico, e não há piso! Aliás, por que andar térreo? E os velhos e bons prédios sobre pilotis? Ninguém mais constrói a partir do térreo, mas o Minha Casa, Minha DíVida, sim. A DíVida, aliás, é escorchante: antes os financiamentos eram feitos em 15 ou 20 anos pela Caixa; no MCMDV, o incauto comprador terá de pagar em 30 anos! Um negoção para a Caixa, uma boca livre para construtoras e incorporadoras, e uma baita DÍVIDA, para duas gerações!!! E mesmo sendo um negoção, elles não conseguiram entregar nem 10%!!! Vão ser incompetentes lá… nos EUA, onde o mesmo projeto imobiliário que dá crédito a quem não tem condições para cumprir o contrato, deu origem àquela crise de 2008!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Falado ou escrito

Como já escrevi algumas vezes mostrando qualidades da Tv Record, e criticando severamente a Globo – coisa que vou fazer mais uma vez a seguir -, quero esclarecer que: 1 – pretendo criticar severamente também a Record; 2 – com certeza terei oportunidade de elogiar enfaticamente a Globo; 3 – praticamente não há o que falar das outras emissoras, acuadas pela baixíssima audiência, com programação irregular e bêsta (exceção feita à Band, que ainda respira). Falo aqui com os leitores como uma pessoa que vê tv, diariamente, e gosta de tv, e sofre com os pequenos e grandes defeitos da tv. Dito isso, vamos ao que interessa.

Deixemos de lado por um momento as imagens – a base de tudo na televisão. A impressão que se tem, ao acompanhar o noticiário, é: a Globo faz jornalismo escrito; a Record faz jornalismo falado. Vejam a postura dos apresentadores, por exemplo, do Esporte Espetacular – excelentes profissionais, diga-se, e enfatize-se que não é a qualidade deles que está em jogo. Mas percebemos um texto por trás de tudo o que dizem - um texto escrito. O que acaba por atrapalhar os excelentes apresentadores (mesmo que sejam eles mesmos a escrever o texto).

Vejam este exemplo: a apresentadora fala de alguém e quer dizer – porque está escrito - “ninguém menos do que Fulaninho!” Acontece que ninguém fala assim. É texto escrito – portanto, para se ler. Ela está lendo em voz alta para nós, e aí... vem o escorregão: “ninguém mais, menos... mais do que Fulaninho”. E aí você percebe que ela não está falando com você, mas lendo algo que é pura literatura. Dá assim um certo mal-estar no espectador, como quando você conversa com um erudito, uma pessoa super-culta, e a pessoa só de sacanagem começa a proferir palavras que você não conhece, ou repete frases, citações dos clássicos ou dados que você, pessoa comum, não domina – e ainda faz isso tudo com um nariz bem empinado. É mais ou menos essa a nossa sensação ao passar por este momento – sensação mesmo, algo não consciente, mas que incomoda... e pode acabar por nos levar ao controle remoto.

Já na Record você vê que às vezes o apresentador se enrola, mas se enrola porque está se comunicando com você, na maioria das vezes ao vivo. Claro que há um texto que ele está lendo, então qual a diferença? Por que perdoamos imediatamente a enrolação do rapaz – ou moça, tanto faz? Porque sentimos – novamente, é uma sensação, não consciente – que o apresentador não errou porque não leu direito um texto empolado e pretensioso (porque quer ser literatura). Ele escorregou porque está lendo, mas também está improvisando, está conversando com você, está te descrevendo um fato como uma pessoa qualquer descreve. Sem pose, sem nariz pra cima, sem pretensão.

Como no rádio – que já demonstrou ser, talvez, o melhor veículo de comunicação, o de maior alcance, o mais autêntico, presente, simples e direto -, o jornalismo da Record é falado. E falado com simplicidade, dando chance a que as imagens ganhem projeção, ganhem status, sejam imprescindíveis à compreensão do que se está noticiando – e com isso mostrando como e porque a tv não compete com o rádio, mas o complementa. Isso, claro, quando não se transforma em puro exercício de vaidade ou demonstração de erudição ou ainda apenas literatura, e não jornalismo.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Assim é um Líder

Íntegra da crônica Assim é um líder, de Nelson Rodrigues, publicado no jornal O Globo em 9 de janeiro de 1968. Publicada no blog de Augusto Nunes na veja.com, no quadro Feira Livre - uma lembrança pertinente.



O líder é um canalha. Dirá alguém que estou generalizando. Exato: estou generalizando. Vejam, por exemplo, Stalin. Ninguém mais líder. Lenin pode ser esquecido, Stalin, não. Um dia, os camponeses insinuaram uma resistência. Stalin não teve nem dúvida, nem pena. Matou, de forma punitiva, 12 milhões de camponeses. Nem mais, nem menos: – 12 milhões. Era uma maravilhoso canalha e, portanto, o líder opuro.

E não foi traído. Aí está o mistério que, realmente, não é mistério. É uma verdade historicamente demonstrada: – o canalha, quando investido de liderança, faz, inventa, aglutina e dinamiza as massas de canalhas. Façam a seguinte experiência: – ponham um santo na primeira esquina. Trepado num caixote, ele fala ao povo. Mas não convencerá ninguém, e repito: – ninguém o seguirá. Invertam a experiência e coloquem na mesma esquina, e em cima do mesmo caixote, um pulha indubitável. Instantaneamente, outros pulhas, legiões de pulhas, sairão atrás do chefe abjeto.

Mas, dizia eu que Stalin não foi traído, nem Hitler. O Führer, para morrer, teve de se matar. (Nem me falem do atentado dos generais grã-finos. Há uma só verdade: – nem o soldado alemão, nem o operário, nem o jovem, nem o velho, traíram Hitler.) E, quanto a Stalin, ninguém mais amado. Só Hitler foi tão amado. Aqui mesmo, no Brasil. Bem me lembro, durante a guerra, dos nossos stalinistas. Na queda de Paris, um deles veio-me dizer, de olho rútilo e lábio trêmulo: – “Hitler é muito mais revolucionário que a Inglaterra”.

Sim, o que se sentia, aqui, por Stalin, era uma dessas admirações hediondas. Eu via homens de voz grossa, barba cerrada, ênfase viril. Em cada um dos seus gestos, a masculinidade explodia. E, quando falavam de Stalin, eles se tornavam melífluos, como qualquer “travesti” do João Caetano ou do Teatro República. O que se sentia, por trás desse arrebatamento stalinista, era um amor quase físico, uma espécie de pederastia idealizada, utópica, sagrada. Com as mandíbulas trêmulas, uma salivação efervescente, os fanáticos chamavam o Guia de “o Velho”. E essa paixão era de um sublime ignóbil.

Já o Czar foi o antilíder. Há um quadro russo da matança da Família Imperial. (A pintura de lá, tanto a czarista, como a soviética, é puro Osvaldo Teixeira.) Eis o que nos mostra a tela: empilhados, numa bacanal de defuntos, o Czar, a Czarina, as princesinhas, etc., etc. Uns por cima dos outros, e cravejados de bala. Os soldados receberam a ordem e estouraram a cara dos velhos, das mocinhas, dos meninos. Mas não vamos assumir, aqui, nenhuma postura sentimental. Eis o que importa diser.

Na véspera de morrer, o nosso Nicolau entretinha-se na redação do seu diário. Fazia diário como qualquer heroína da Coleção das Moças. Reparem no antilíder, no anti-rei, no antitudo. No dia seguinte estariam à mostra os intestinos dele mesmo, as tripas da mulher, dos filhos, dos sobrinhos, dos netos. Mas ele não teve nenhum sentimento da morte. No jardim havia um “lago azul” como o da nossa canção naval. E, lá, dois ou três cisnes deslizavam mansamente. Um mundo já morria e outro ia nascer. E o Czar estava fascinado pelos cisnes, e a última página do diário era a eles dedicada. Um homem assim teria de ser exterminado a bala ou a pauladas, como uma ratazana.

Alguém lembrará a figura de Kennedy. Era um líder que preservava um mínimo de humanidade. Mas não era líder. Lembro-me da babá portuguesa da minha garotinha. Ao ver o retrato de Kennedy, gemeu com sotaque: – “Bonito como uma virgem”. Era um líder de luxo, isto é, um antilíder. Ao entrar na política, o pai, outro aristocrata, deu-lhe um cheque de um milhão de dólares. E mais: – Johnny casou-se com Jacqueline. E a mulher bonita é própria do falso líder. Nem Stalin, nem Hitler, fariam essa dupla concessão ao sentimento e ao sexo. Reexaminem toda a vida de Kennedy: – não foi, em momento nenhum de sua história e de sua lenda, um canalha. E não soube fazer pulhas para juntá-los em torno de sua liderança.

Pensem no pacto germano-soviético. Todos os que o aceitaram ou que ainda hoje o justificam eram e são perfeitos, irretocáveis canalhas. De um só lance, Stalin e Hitler degradaram toda uma época. Eis o que desejo ressaltar: – faltava a Kannedy essa capacidade de aviltar um povo. Ao passo que Stalin fez seu povo à imagem e semelhança da própria abjeção. Mas foi na morte que Kennedy demonstrou a ineficácia e falsidade de sua liderança.

O líder não morre antes, nem depois. O derrame escolheu a hora certa para matar Stalin. Hitler meteu uma bala na cabeça no momento justo em que precisava estourar os miolos. Waterloo aconteceu quando se esgotou a vitalidade histórica da era napoleônica. Se Lenin vivesse mais quinze dias, seria outro Trotski. E Kennedy caiu antes do tempo, morreu quando não tinha que morrer. Imaginem um cristo morto de coqueloche aos três anos. Não seria Cristo, não seria nada. Kennedy morreu ao lado da mulher bonita. E, de repente, veio a bala e arrancou-lhe o queixo, forte, crispado, vital. Restava tudo por fazer; o horizonte da reeleição abria-se diante dele. Esta morte antes do tempo mostrou que Kennedy não era Kennedy. O amor que lhe consagramos é um equívoco.

Falo, falo, e não sei bem por que estou dizendo tudo isso. Agora me lembro, Eu disse algo parecido ontem, num sarau de grã-finos. Não achem graça. Aprende-se muito no grã-finismo, e repito: certos grã-finos têm um sutil faro histórico, diria melhor, profético. Sentem, por vezes, antes dos outros, o que eu chamaria “odor da História”. E um desses estava-me dizendo, num canto, com uma convicção forte: – “Vai haver o diabo neste país”. Disse e fez um “suspense”. Instiguei-o: – “O diabo, como?” E ele, misterioso: – “Você não sente que vem por aí não sei o quê?” Esse “não sei o quê” era pouco para a minha fome. O grã-fino punha mais gelo no copo. Insinuou: – “”Há muita insatisfação”. Ainda era pouco. E eu queria saber, concretamente, o que vinha por aí. Perguntei: – “Sangue?” E o outro: cara a cara comigo e um ar de quem promete hemorragia nacional inédita: – “Sangue”.

Todavia, o “suspense” continuava. “Sangue”, dissera ele. Mas, quem ia derramar o sangue, e que sangue? Ainda olhei para os lados, como a procurar, entre os convidados, um possível Drácula. Quando, porém, o grã-fino falou em “esquerda”, a minha perplexidade não teve mais tamanho. Recuei dois passos avancei outros tantos e perguntei: – “Você acredita na nossa esquerda? Nessa que está aí?”

Ele acreditava. Então perdi a paciência e falei sem parar, Quem ia mudar qualquer coisa neste País? A esquerda tem um canalha para exercer uma liderança concreta e proveitosa? Senhoras entraram no debate. Fez-se, ali, uma alegre pesquisa de pulhas. Mas os canalhas lembrados eram, ao mesmo tempo, imbecis. E o que a história pedia era um crápula com seu toque de gênio. Em suma: não ocorria aos presentes um nome válido. A última palavra foi minha. Disse eu mais ou menos o seguinte: – enquanto a esquerda que aí está não for substituída até seu último idiota, não vai acontecer nada, rigorosamente nada.



Comentário de bijuxinthebox
- 19/12/2010 às 13:04

Por aqui, jamais se morrerá por falta de canalhas, que os há a cada tropeço em nossas mal calçadas calçadas. Nelson, tão citado e reverenciado pela esquerda, era sabidamente de direita. Aqui, ele é genialmente profético: Sua Insignificânia, o Canallha mor, construiu seu caminho ligando-se à pior escória da esquerda. Pois que há uma esquerda não canalha – e esta jamais terá vez, não tem uma liderança canalha, como os que hoje se fartam de poder. Nelson diz com todas as entrelinhas: é impossível ser de esquerda – pois esta ambiciona o poder e quando o tem não larga nunca – sem ser canalha. E é impossível vencer a esquerda sem ter à frente um bom, belo e competente canalha! Saudades de Toninho Malvadeza… a que ponto chegamos!!!

Interessante é que Nelson Rodrigues não erra em nada: na época, nã tínhamos ainda um canalha bem formado - apenas candidatos a canalhas, que se acanalharam, di com força, logo que tomaram o poder: Genoíno, o Zé, a Dama de Petróleo... Nada disso seria possível sem um líder de verdade, capaz de todas as ignomínias próprias do líder. E ele chegou em forma de Lula - e enganou um bocado, até assumir a forma atual, de Lulla, ao mostrar que sabe se valer de canalhas tão canallhas quanto elle - tipo Collor, Sarney et caterva.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

WikiLeaks, coisa de freaks

Nos anos 70, chamava-se de freak – do inglês freak, he, he, he – os bichos grilos, hippies, ripongos, quando essas pessoas extrapolavam até mesmo a loucura normal dessas tribos. Os caras que fizeram o WikiLeaks, com sua conturbada história envolvendo homossexualismo rebelde contra o exército americano da parte do fornecedor das informações roubadas e acusação de pedofilia por parte do sujeito que colocou tudo no ar, parecem se encaixar nessa categoria.

O freak era mais pro drogado, mas podia ser também alguém simplesmente sem noção. Acho que é o caso. Um homossexual revoltado por se sentir “inadequado” - segundo suas próprias palavras – no exército, em vez de procurar terapia decidiu resvalar para o crime, por motivo torpe: vingança. Do exército americano, dos americanos como ele, dos europeus de quebra, enfim, do mundo. Seja qual for a sua motivação, cometeu crime – roubando e divulgando informações sigilosas.

O outro, o principal vilão da história, parece ter um caráter ainda pior. Viu a oportunidade de ganhar muuuuita grana com esse ilícito – ou seja, lucrar em cima do homossexual em questão (que por mais que ganhe grana não chegará a ganhar o que o “pai” da coisa está faturando), e ainda conseguir patrocínio, e mais ainda prestígio internacional, como se estivesse nos fazendo um favor. Sua má ação caiu como uma luva entre os que semeiam o mais violento anti-americanismo.

Se não fosse por estarmos diante de fatos que sem dúvida estão sendo severamente investigados por gente séria – a justiça americana e a europeia, e não a brasileira, que sequer saberia o que fazer com a coisa toda – poderíamos pensar que toda a vida de todo cidadão está em risco. Mas com certeza não será assim. O tal do Assange está preso – embora não por este crime, mas por outro de igual ou maior periculosidade e imoralidade: ato de pedofilia cometido na Suécia.

Tem gente assanhada pra dar razão a este pirata moderno, inclusive o indefectível Lulla – que apenas segue a sua cartilha de sempre. Mas quem prefere não seguir cartilha nenhuma,é bom pensar bem. Se nem governos democráticos tiverem direito a segredos de diplomacia, estaremos indefesos diante de qualquer investida de aventureiros totalitários. Aliás, por que o Assange não foi cavucar os sigilos da diplomacia de Cuba, Coréia do Norte, Irã...?