Só o Rio é assim. Não sei se lembram, mas há pouco tempo havia um anúncio sobre a cidade, creio que da Riotur, no qual se destacava a voz inconfundível de Malu Mader. Mostrava as belezas, as praias, a gente, o sorriso, o jogo de cintura, o samba no pé e declarava filosoficamente: Só o Rio é assim...
Só o Rio é assim. No dia seguinte ao incêndio na Cidade do Samba, que destruiu quase tudo do Carnaval da União da Ilha e da Portela, e acabou com a Grande Rio, sem estrelismos, sem jogar para a plateia, mas com sinceridade evidente, vimos: 1º - o povo do samba se dando as mãos, arrumando jeitinhos, desenhando tudo de novo, mais simples, e botando pra quebrar nas oficinas para assegurar o desfile de sua escola. 2º - o povo se esbaldando nas suas quadras, cantando seus sambas com alma, sorriso largo, ensaiando as coreografias, bateria afiada e harmonia ainda mais afinada. 3º - a presença e a atuação imediata do prefeito Eduardo Paes. Sem choro nem mágoa. Só no sapatinho. No molejo, na batida, na levada, no jeito de ser carioca.
Vejo falar muito do governador Sergio Cabral - vejo na Veja - com um certo ar paulista de superioridade. Pouco vejo sobre o Paes - porque ninguém quer botar azeitona na empada de ninguém, né? No entanto, tenho umas coisinhas a dizer sobre os dois - e peço que os que lêem se abstenham de conceitos mal fundamentados e mal digeridos sobre eles.
Vamos pensar no que aconteceu com o Rio nos últimos 28 anos. Em 82, elegeu-se o gaúcho Brizola, que quis mostrar serviço - e mostrou, mas praticamente apenas na Educação (que depois, no segundo mandato, esculachou). A segurança com Brizola era questão de lugar: o crime fica por lá, o cidadão fica por aqui, e todo mundo finge que não vê. Depois, como contraponto, o Moreira Franco se elegeu prometendo "botar a PM pra subir os morros". Era o que ele entendia como combate a uma criminalidade que, claro, avançou com o primeiro governo do Brizola. Mas aí deu-se a oportunidade de incrementar uma corrupção que sempre existiu nas polícias. Fora o fato de que cada vez se viram mais pessoas atingidas por balas perdidas, e as denúncias de violência policial tomavam as páginas dos jornais.
Vieram em seguida: Marcelo Alencar, o Bêbado, e o segundo governo do Brizola - aquele em que ele estava entediado, tinha perdido pra presidente, que era o que ele queria, e tinha sido obrigado a engolir o que ele chamou de "o sapo barbudo" - Lula. Acho que foi aí que veio, para cúmulo da desgraça, a sra. Benedita da Silva, creio que num mandato-tampão (eu estava fora do Rio, não acompanhei, mas me lembro da história do zepelin que ela botou pra vigiar o tráfico, hehehe).
Mas nenhuma tragédia é completa. Faltava o pior: os Garotinhos. Três mandatos dessas figuras, Antony e Rosinha - ela, reeleita - acabaram de vez com a Cidade Maravilhosa. Com o auxílo luxuoso do indefectível Cesar Maia, que governou de frente ou por trás por quase 16 anos. O Garotinho tomou posse e acabou com a "banda podre" da polícia civil - só para instalar sua própria banda, em voo solo, tendo à frente o bonitão e bandidão Álvaro Lins.
O Rio já sofreu demais, e agora se agarra à esperança de que Cabral e Paes façam milagres - até porque o Rio sabe que estes dois têm de pavimentar o seu caminho na política nacional. É, bebé, só não vê quem não qué.
Eu também me agarro. Todo apoio a Cabral e Paes. Se eles querem escrever seus nomes na história do Rio, estão com a faca e o queijo na mão.Uma enorme aceitação popular - que pode se traduzir em votos em 2014 (ou vocês acham que o PMDB vai continuar sendo assessoria do PT?). Eu posso estar errada, mas... dado o quadro desenhado, e tudo o que o Rio já passou, e as atitudes de Cabral e Paes - nunca ausentes: você pode não gostar da resposta deles, mas eles estão lá dando respostas -, dada a enorme boa vontade e alegria do povo carioca, e os recursos abundantes de samba, paisagens, praias, mulheres, comida, céu, sol e mar, eu sei que o Rio só vai crescer, só vai se dar bem. Porque só o Rio é assim: sai da lama para sambar coberto de ouro.
Rio de ladeiras, civilização encruzilhada
ResponderExcluircada ribanceira é uma nação
(...)
À sua maneira
De calção
Com bandeiras sem explicação
Carreiras de paixão danada(...)
Chico Buarque
Essa dele é foda, porque traduz como poucas letras o que você brilhantemente também acaba de descrever
Grande artigo, que posiciona bem históricamente a merda em que ficamos atolados ns últimos quase 30 anos...realmente é um alívio ter o Cabral e o Paes fazendo cumprindo cm seriedade suas funções...Deus guarde o Rio e abençoe esse povo realmente único....
ResponderExcluirE viva o Carnaval!