quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

E a musiquinha, hein?

Lavando louça, ouço o som vindo da sala, melhor, da tv. E imediatamente sei do que estão falando. É a musiquinha triste - cordas enlanguecidas de violoncelos dramáticos, sopros fraquinhos de flautas amargas, notas esparsas e es-can-di-das de pianos torturados. A musiquinha é parte importante, talvez a mais importante, da cobertura jornalística das desgraças ocorridas na serra fluminense, ou em Sampa e Guarulhos, e ABC, ou em Santa Catarina, no Pará...
O Brasil está sob as águas de chuvas e barragens destruídas. Petrópolis, Teresópolis e Friburgo, sob a lama de bairros inteiros desabados e levados pelas enxurradas. E o jornalismo das redes de tv, lastimavelmente, apenas nos oferecem arremedos de informação - e por isso é que têm de preencher o tempo, e fingir que estão nos dando cobertura, apresentando-nos os espetáculos de solidariedade, as histórias familiares, os salvamentos heróicos, as doações em número jamais visto antes etc. E dê-lhe musiquinha... para nos entristecer, nos deixar no clima para engolir tudo isso como um trabalho excelente das emissoras de tv.
É claro que repórteres, apresentadores, todos os envovidos, estão fazendo um trabalho digno de elogios, muito difícil e triste. Mas há alguma coisa que não bate aí...
Não sei sobre as outras cidades históricas e turísticas, mas sei de Nova Friburgo - um marco da época da Corte no Brasil e das primeiras imigrações, com a vinda de suíços, e depois dos alemães, para estas plagas. O que aconteceu em Friburgo foi muito mais do que as tvs nos mostraram. Os bairros de Conselheiro Paulino, Floresta, São Geraldo (que sumiu do mapa), Olaria, Cônego, além dos distritos de Amparo (a poucos quilômetros da vila de São José do Vale do Rio Preto, município varrido pelo rio, e que foi bem mostrado na tv), S. Pedro da Serra, Lumiar, as localidades de Boa Esperança, Stucky e outras, enfim, quase toda a serra friburguense sofreu devastação, com grande número de mortos e desaparecidos.
Mas Globo e Record ficam paradas no centro das cidades atingidas, mostrando a incrível - é incrível mesmo - solidariedade que envolve essa gente sofrida. E como não têm mais notícias (porque não foram pautados pelos seus editores, nem receberam condições nem ordens para correr atrás), só fazem, coitados, desfiar a cada dia a macabra contabilidade de mortos, desaparecidos, desabrigados...
Sim, a solidariedade que vem de todo canto para socorrer o povo da serra é mesmo incrível, em volume, em número, em afeto. Mas seu encaminhamento para as vítimas não tem coordenação, organização, supervisão, fiscalização. É apenas um bando de gente bem intencionada tentando fazer o melhor que pode. Mas nenhuma tv fala sobre esse caos,e para nos tapear, todas põem a tocar a tal musiquinha...
O que está havendo, afinal? As tvs estão sozinhas e sem condições para uma cobertura mais apurada? O governador pediu - acho que ele nem precisou pedir, já é tácito - para não detalhar muito a coisa? Precisamos saber: como vão ser ajudadas pessoas que tinham casa e comércio há várias décadas, pagando um IPTU dos mais salgados, e perderam tudo? Quando começa a construção das casas para quem morava de modo irregular, sem pagar impostos, e está nos abrigos? Serão essas pessoas ajudadas da mesma forma? Não há diferença entre quem andou na legalidade e quem morou anos e anos sem contribuir para a municipalidade? Hein?
Não queremos crucificar autoridades, culpar prefeituras ou Estado ou governo federal, nada disso. Esqueçam as culpas, que as temos quase todos nós, de alguma forma. Queremos é saber, é ficar bem informados pela tv e jornais, é sentir que não há nada sendo escondido, que providências concretas estão sendo tomadas. Não novos equipamentos de alerta sonoro sendo testados e outras coisinhas para as próximas chuvas. Não. Queremos saber o que será feito para quem está destruído e mal pago - se é que me entendem - agora! E para isso contamos com as tvs, porque são hoje os veículos mais importantes de informação e propaganda. É isso: mais informação, menos propaganda. E, por favor, parem com essa musiquinha!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Datena, o homem-coragem

Muitos gostam dele, muitos não gostam. Creio que não se trata de uma questão de gosto, mas de necessidade. E coragem. José Luiz Datena cumpre uma árdua e necessária missão: informar diariamente, na maioria das vezes ao vivo, os fatos que acontecem na Grande São Paulo. E mostrar indignação, quando nós, aqui do nosso sofá, ficamos indignados. De mostrar irritação quando ficamos irritados. De falar com a dureza com que nós gostaríamos de falar com autoridades e políticos.
Irmãos, é preciso coragem! Datena foi o único que sobrou de cerca de seis programas que acompanhavam principalmente o noticiário policial de Sampa. Me lembro que havia programas semelhantes pelo menos na Record, SBT e Rede TV. Todos os outros "vazaram". É, é dureza mesmo estar diante das câmeras todos os dias, e mostrar matérias que irão com certeza chocar o distinto público. É dureza investir em equipamentos, vôos de helicóptero, uma equipe grande de repórteres, produção, direção... o engraçado é que a Band, que para nós parece ser menos abonada (tem menos grana) do que as outras, é logo a Band que aposta - e aposta certo - na cobertura diária do cenário paulista. E não só na cobertura jornalística, mas na ancoragem ousada e corajosa, além das enquetes relâmpago que nos fazem interagir com o programa Brasil Urgente.
Tem mais: enquanto as outras redes "botaram o galho dentro", como se diz aqui no Rio de Janeiro, Datena se cerca de gente competente, como o dublê de piloto e repórter Comandante Hamilton, e seu filho cinegrafista, Juan, além dos excelentes repórteres Marcio Campos, Fabio Barreto e outros (e outras).
Uma coisa não se pode negar: Datena tem peito. Uns gostam, outros detonam o programa, mas Datena é o homem-coragem da tv brasileira. E quero ver quem desmente isso ou apresenta outro mais audacioso. E, a propósito, por que será que não há programa semelhante nas tvs cariocas? Hein? Hein? O fato de o helicóptero da Globo ter sido alvejado ao sobrevoar favelas nos dá uma pista, não é não?

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Pra que? Pra ter Notícia?

Perplexa, vejo a repórter tentar entrevistar uma senhora exatamente no momento em que seu filhinho de dois anos passa carregado em um lençol, seu corpo resgatado sem vida depois de oito dias sob a terra. Por favor! Para que isso? O que esta tão mal orientada repórter esperava ouvir dessa mãe, depois que ela passou por todo o sufoco imaginável, e, salva, vê enfim seu filho, e imagina o que a criança deve ter passado também? O que está se passando nas mentes dos jornalistas, para que em certas ocasiões sejam tão lacrimosos, para logo depois expor uma dor sem fim sem nenhum constrangimento?
Os jornais precisam preencher espaço, as tvs, tempo, e ambos necessitam de nossa atenção para prosseguir informando - e faturando. Por favor, então, tragam notícias... e não nos façam mais chorar e nos indignar com a tragédia, em si, mas tomar conhecimento dos verdadeiros fatos: onde há outros desaparecidos, depois de 8 dias? Por que algumas regiões ainda permanecem isoladas? Quais as providências urgentes que estão sendo tomadas - e que todos noticiam vagamente, milhões pra cá e pra lá, ma sem nos dar nenhuma pista de como serão gastos, e de quem vai tomar conta dos cofres?
Não queremos mais chorar por Friburgo, Petrópolis, Teresópolis, e regiões rurais vizinhas, nem nos comover com histórias que já nos levaram tantas vezes às lagrimas. Por favor, não repitam - e isso é com você, Record - tanto as mesmas reportagens apelativas.
Vou falar que nem aquela velhinha de um anúncio de supermercado, que quer preço... nós, telespectadores, queremos é... NOTÍCIAS!

domingo, 16 de janeiro de 2011

Réquiem e exortação

Trabalhei com o prefeito Paulo Azevedo, em Friburgo, em duas ocasiões. Na primeira, em 88, ele tomou posse no dia 1º de janeiro e em seguida teve de enfrentar uma catástrofe que ficou na história da cidade. Empreendedor, rápido, dono de uma incrível capacidade de liderança, Paulinho - como gostava de ser, e era, chamado - mobilizou todos os recursos da Prefeitura, e conseguiu feito inédito na época, que foi o apoio financeiro de seu partido, em dinheiro urgentemente liberado, para um sem-número de obras necessárias e urgentes.
Daí para a frente, nesse seu primeiro governo, ele dotou Nova Friburgo de barragens, estradas e ruas pavimentadas, escolas, ampliação e equipagem dos hospitais e postos, num esforço que fez a cidade progredir a olhos vistos, recebendo prêmios de excelência em Educação, por exemplo. O povo gostou, não havia reeleição, e o sucessor dele foi o também muito empreendedor Nelci da Silva, já falecido.
É, o povo gostou tanto que, depois de Nelci, Paulinho voltou para um segundo governo. O povo sempre gostou do Paulinho. Perdeu eleições depois, mas sempre teve uma multidão de friburguenses do seu lado. A maioria, por gratidão pelo tanto que ele fez por nossa cidade - sim, eu me incluo, porque apesar de ser carioca tenho Friburgo nas minhas raízes e no meu coração.
Fico triste a toda hora vendo a destruição da cidade. Mas sei de que matéria é feito o povo friburguense - de força, de garra, de consciência, de alegria de viver - desde os primórdios de sua história, quando os colonos suiços, heróis de uma época, desbravaram a mata para nessa serra se instalarem com suas famílias e seus sonhos. Sei que Friburgo não será destruída. Sei que Friburgo voltará a ser a mesma de sempre: linda, forte, voltada para o futuro. Friburgo vai dar a volta por cima. Com Deus.

É embromation chon, embromation...

Domingo, 11 horas da manhã, e duas redes de tv aberta - concessionárias que têm normas e regras a cumprir - apresentam, respectivamente: Record, desenhos animados antigos (acervo da emissora, cuja transmissão não lhe custa um tostão); Bandeirantes, programa de vendas (horário alugado à Polishop ou coisa que o valha).
Uma das normas a serem cumpridas pelas tvs abertas é oferecer programação 24 horas. No caso, Record não cumpre, sem gastar nem lucrar nada, contando fazer do público e das autoridades da Anatel um bando de otários, que engole essa de que apresentar cartoons antigos é apresentar programação. O caso da Band é pior, pois além de apenas não dar a mínima para normas, ainda sai lucrando e andando.
Uma grade de programação que ofereça programas em todos os horários implica em um gasto de investimentos, de fosfato para pensar, de trabalho, enfim. Quando essas redes - e há outras - não cumprem o estabelecido, elas estão: cometendo uma irregularidade e uma ilegalidade; covardemente renunciando a qualquer luta por audiência com as emissoras que já lideram há um tempão, e que, sem concorrentes, acabam por deixar cair o nível de seus programas, como temos visto; chamando todos nós telespectadores, de bobos, otários, inúteis, imbecis, ignorantes, acomodados, burros, e quantos impropérios mais mereçamos pela atitude pacífica e conformada diante dos crimes apontados aqui.
O Mundo gira, a Lusitana roda, e nós não ficamos sabendo de nada aos sábados e domingos até depois das 3 da tarde. Que tal jornalismo, documentários, informação em vez de embromação?

sábado, 15 de janeiro de 2011

O que fazer?

A pergunta está nos olhos dos que perderam tudo. Está nas lágrimas dos que vêem tudo na tv. Está na expressão de impotência dos homens da Defesa Civil.
A tragédia, chega-se agora à conclusão de que foi pré-moldada pela Natureza, pois todos os recursos naturais foram utilizados na devastação: as chuvas foram em bloco e demasiadas; os rios arrastaram as suas areias e a lama dos barrancos das margens, a mata antes fechada das montanhas, agora meio rara, fez sua parte desabando e destruindo tudo à sua passagem; os pequenos intervalos de sol serviram muito bem para solidificar o barro sobre casas e gente. A Natureza fez sua parte (mórbida e irrespondível) - mas... e o Homem?
A tragédia, agora se sabe, foi pré-estudada, mapeada, detalhada, há uns dois anos. Então... ???
Faltou a ponta que sempre falta em praticamente todos os estudos e previsões, e planos, e esforços de todo tipo para cada desastre natural de que o nosso país tropical é sempre uma vítima em potencial - até que se torna vítima real. Faltou AÇÃO. Ninguém pegou estes estudos e transformou em planejamento. Ninguém, depois de ter sido usada toda a tecnologia mais moderna, achou que era de sua responsabilidade entrar imediatamente (há dois anos!!) em AÇÃO.
Ninguém soube O QUE FAZER...
E por que isso acontece? Porque falta Ensino. Fala-se muito em Educação - demais, a toda hora, na tv então... Mas o que não temos, na verdade, é Ensino. Ensino é transmissão de conhecimento + transmissão de sentimentos sobre o conhecimento + ética + TREINAMENTO.
Na tv, os bravos apresentadores, todos eles fazendo um trabalho impecável (assim como todo o jornalismo de todas as redes), citavam os planos de emergência de países que têm sempre terremotos, enchentes etc. E acabavam por fazer sempre a mesma pergunta: por que não houve uma AÇÃO preventiva, e também, por que não houve uma AÇÃO rápida, coerente, organizada, às primeiras previsões de tempestades fortes em Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis.
Não houve, amigos, porque NÃO HÁ. Não há NUNCA.
Não há Ensino que treine as crianças - que adorariam isso, como uma brincadeira - em fazer coisas. Não há oficinas - a não ser as que chamam de "artesanato", benvindas, mas que sugerem sempre não a tendência à utilidade, mas à arte. Não há atividades que treinem meninos a serem rápidos, fortes e ágeis (como eles vêem no Big Brother, mas só entre jovens que são exceções: bem nutridos, bem nascidos, ou bem treinados).
Não há nas escolas Ensino de técnicas de diversos tipos que dariam aos jovens uma prática de se safar diante de obstáculos, e de decodificar o sinais da Natureza - e saber quando sair de um lugar, por exemplo, quando está ameaçado.
Não há Ensino que Treine os jovens para serem futuras autoridades civis ou militares conscientes - só se ensina a eles que autoridades são corruptas e militares ficam sem fazer nada até serem chamados para um Morro do Alemão,por exemplo.
Nossos jovens - com raras exceções - não vêem qualquer atrativo em serem médicos, enfermeiros, bombeiros, funcionários públicos de departamentos de ação junto à população, militares de carreira, meteorologistas, pilotos, e... PROFESSORES!!!
Minha querida Nova Friburgo foi devastada, toda a sua História vilipendiada, sua pacífica população violentada, e tudo o que todos se perguntavam, enquanto arregaçavam as mangas e trabalhavam forte para resgatar um número inacreditável de corpos, era: O QUE FAZER???

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Meio que...

A frequência de certas palavras e expressões, na tv principalmente, vai nos aborrecendo dia a dia, e sem querer, vamos colecionando coisas que são ditas para não dizer nada. Uma delas é o meio que... É, assim mesmo, com pontinhos, pois meio que… é expressão que meio que pode ser usada por qualquer um sobre qualquer coisa, quando a pessoa está meio que... confusa, ou meio que... sem graça, ou meio que não quer se comprometer, ou seu tempo está meio que curto, ou a paciência meio que esgotada.

Me lembro que há tempos a expressão para começar a falar era, invariavelmente: Seguinte… Por exemplo: o entrevistador pergunta quando chegou de Salvador, e o cantor falava: “seguinte... cheguei ontem”. A origem disso está numa expressão muito usada pelo pessoal do Pasquim da época, “o negócio é o seguinte”, que iniciava qualquer coisa a ser dita ou escrita. Agora, estamos na era do “então...” Podem reparar, já faz tempo que todo mundo na tv fala “então...”, e por extensão todo mundo na rua, no escritório, na casa da mãe Joana, fala “então...”

No meu tempo se chamava isso de “muleta” - um apoio para dar ao cidadão tempo de pensar e responder à pergunta. Mas o abuso disso, e o fato de coisas assim serem altamente contagiosas, acaba por nos causar sérios transtornos psíquicos – ou pelo menos este é o meu receio.

Se não, vejamos: há algum tempo, não havia declaração na tv – e depois, claro, nas ruas – que não começasse por “com certeza...” Isso depois de um breve reinado do “afinal...” E quando a coisa não era certa, vinha o substituto: “fala sério...”

Temos também vocábulos que servem para tudo. “Questão” é um deles. O governador diz: “É preciso avançar na questão do transporte público” - e pronto, está dito. O Judiciário se defronta com a questão da obrigatoriedade de mandar para casa presos perigosos. A prefeitura observa a questão dos engarrafamentos, que junto com a questão dos garotos malabaristas nos sinais, e a questão das obras, está trazendo para a Avenida das Américas uma questão de inferno diário.

Mas nada supera o “meio que...”. Tanto que vou encerrando porque estou meio que enjoada com tudo isso, pretendo meio que tomar um banho e depois meio que lanchar, pois que me encontro meio que faminta. Meio que até logo.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Algo de Podre

O Carlos Vereza nos sugere ler Hamlet, em seu excelente blog. Nada mais adequado, para quem não tem problemas com a leitura - hoje, creio, a maioria dos jovens. A obra é verdadeira aula emocionada e emocionante sobre relações de poder.
Vendo a foto de Dilma, a presidente, recebendo os cumprimentos do auto-proclamado "bispo" Edir Macedo, e seu fiel escudeiro na Record, Douglas Tavolaro, me ocorreu de pronto a frase célebre: "Há algo de podre no Reino da Dinamarca", claro, do Hamlet, de William Shakespeare. Nenhum outro alto representante de empresa de comunicação teve esta pachorra, de se apresentar no beija-mão. Tanto que o cerimonial correu a achar um lugar entre os estadistas estrangeiros para enfiar os dois. Para dizer a verdade, creio mesmo que muitos dos atuais capachos do poder nas tvs, jornais, rádios e revistas devem ter pensado "como não pensei nisso também?" Porém a nata do jornalismo - que isso existe, gente, existe imprensa boa, é só procurar - deve ter-se contorcido de risos (ou se revirado no túmulo, caso de Roberto Marinho, por exemplo, que mesmo apostando nitidamente todas as suas fichas em um político ou governante, nunca foi tão explícito, e procurou manter a dignidade).
Pena que isto tudo escape à maioria dos brasileiros. Me lembro de que na Escola Normal Carmela Dutra, em que me formei professora, certa vez ganhei um concurso porqúe fui a ÚNICA, é, a ÚNICA entre centenas de normalistas a escrever corretamente o nome do bardo inglês. Foi em alguma comemoração sobre Shakespeare, sob o comando do excelente professor jornalista Dimas Joseph, do Jornal do Brasil. Ele ficou tão entusiasmado, que me levou para estagiar no JB.
Digo isso pra vocês verem que mesmo naquela época distante já o ensino era ruim, e os alunos, desinteressados disléxicos comportamentais (gente que não lê direito de propósito porque não se interessa por nada, uma marca dos dias de hoje - e não só entre jovens). É dessas pessoas que nós somos reféns, muito mais do que dos políticos. Elas não têm bússola, radar, si mancol, nem faro, para desconfiar que alguma coisa está, como dizer sem ferir suscetibilidades? ... fedendo!

sábado, 1 de janeiro de 2011

O que será que será

Em veja.com, o colunista Ricardo Setti nos apresenta didaticamente uma lista dos piores momentos do ex-presidente, taxando de "herança", esta sim," maldita" o legado de Lulla à sucessora.

Sugiro que leiam, por que só esta resumidíssima lista já dá uma idéia do que foram estes oito anos para aqueles que ainda raciocinam, amam o conhecimento e a liberdade, têm compostura e dignidade, respeitam o próximo e têm amor e preocupação com as crianças.

O que virá agora? Brigas internas pra decidir quem é mais o quê, quem leva o quê, quem lucra o quê. Greves por todo canto, principalmente dentro do funcionalismo público, aparelhado, ocupado por petistas e seus cúmplices – quando a conjuntura nacional e internacional obrigar a presidente a fechar, por pouco que seja, as torneiras dos recursos públicos. Também teremos praticamente uma canonização da mulher como se fosse um ente à parte, puro e sublime, quando se sabe que desde que o mundo é mundo a mulher é sempre o pivô de guerras, tragédias, deturpações das leis, exploração da vaidade e de praticamente todas as mazelas morais humanas – talvez não por sua própria culpa, mas isso é outra história. Também, e justamente por causa da sublimação e santificação da mulher, teremos com certeza o aborto e a aprovação das leis que os gays querem para ter ainda mais poder. Teremos mais aproximação perigosa com os ditadores de sempre. E, last but not least, o fortalecimento do anti-americanismo – fazendo da rejeição a Obama por incompetência uma prova de que o capitalismo não se sujeita às teses tão inocentes e puras e generosas e solidárias das esquerdas, e não respeita um presidente “progressista” como o queniano que eles elegeram sem saber que não é americano.
Nossa sorte, acho, ou espero, é que elles são tão abjetos, vaidosos e mercenários que vão acabar se comendo uns aos outros (comendo no sentido metafórico estritamente ligado ao vernáculo, e não àquela gíria grosseira de implicações sexuais).

Quanto à cobertura da posse da eleita, faço côro com milhões de pessoas que ainda conhecem um pouco - e respeitam - a língua portuguesa: NÃO É PRESIDENTA, É PRESIDENTE!!!

Na transmissão pela tv, apenas o SBT usou a palavra certa, pois Globo, Band e Record apressaram-se a chamar a dita cuja de presidenta, estuprando a língua portuguesa sabem por qûe? Simplesmente porque a dita cuja pediu para ser chamada assim!!! Os jornais, que têm muito mais tempo de vida e seus nomes a zelar, e cujas manifestações linguísticas permanecem escritas para a posteridade – tendo, portanto muito mais responsabilidade com a língua pátria – praticamente todos, Estadão, Folha, O Dia … contornaram o problema dizendo que ela “tomou posse na presidência”. É uma forma de não se comprometer, mas em algum momento terão de nomear cargo e pessoa, e aí veremos o que farão. Já a Veja e O Globo, sempre mais corajosos (um pouquinho só…) disseram a coisa certa: Presidente Dilma Roussef. Vamos ter de redobrar a vigilância até mesmo com o uso da nossa língua! Haja Deus!!!