Pra esse a gente tem de tirar o chapéu de Panamá com fita de oncinha! Toda vez que uma novela da Globo precisa de um delegado - pra prender e arrebentar, ou pra acochambrar, ou pra ficar de preguiça enquanto o circo pega fogo - quem é que a Globo chama? Quem? O indefectível Ricardo Pavão, talvez o ator de contrato global que mais se parece com... um delegado, ora!
Agora foi ele quem prendeu - com vontade visível de arrebentar também - o canalha do Horácio Cortez, na novela das 9h. Competente, autoritário, poderoso, orgulhoso, Pavão mostra há anos, em várias ocasiões, que tem o physique du rôle pra este papel sempre importante, e que quase sempre aparece no final da novela, como a imagem daquilo que todos queremos: Justiça.
Quero dizer que conheci o Ricardo Pavão quando tinha uma banda de rock - com o João, o Marcello Gallo, e outros - e era figurinha fácil em Santa Teresa, onde se criou. Era - é - bonito, charmoso, bom cantor, e ainda estampava uma leve parecença com o John Lennon - que fazia muito sucesso com as "minas" (era assim que se chamavam na época as gatinhas, e também as cachorrinhas - que na época não se distinguia umas de outras com facilidade). Hoje, como sói acontecer, ele está melhor e ainda mais bonito, pois os homens ficam mais charmosos quando grisalhos (vide Fagundes),
enquanto as mulheres... prefiro não comentar... Vejo no facebook dele que continua na música, e o nome da banda é Oscaravéio. Um achado!
Pavão e outros bons atores que não estão entre os galãs protagonistas, mostram como a Globo se preparou, se armou, através de décadas, para ser e manter-se como a melhor produtora de novelas do mundo. É assim: eles têm sempre um Coringa - um ator preparado pra entrar em qualquer papel, em qualquer urgência. A novela está em ritmo de chove-não-molha? Chamem o Tarcisão... ou a Susana... ou qualquer outro dos tantos medalhões salvadores de audiência. A novela precisa de um delegado com cara de delegado? Chamem o Ricardo Pavão!
PS - Acho que isso está faltando à Record: armar-se, preparar-se, ir ao mesmo tempo fazendo hoje e se preparando para o amanhã. A Record tem tido certo êxito, mas faltam: atores jovens, novos para a platéia - e não apenas os que saíram da rival; mais bons maquiadores, iluminadores, diretores, produtores, mais câmeras criativos. Mas o que mais faz falta - em todas as emissoras, até mesmo a Globo, para todos os programas, sobretudo séries e novelas -, o que mais a gente, daqui do sofá, sente falta, são bons autores. Façam concursos, criem oficinas, façam o diabo, emissoras de tv, mas preencham seus quadros de redatores e autores. Não fiquem apenas nos filhos e sobrinhos dos atores e autores antigos, façam concursos - e cursos - para ter novos quadros. E criem um jeito de renovar, principalmente, seu cartel de autores. Senão a vaca vai pro brejo.