sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Minha Casa, Minha DíVida
Minha Casa, Minha DíVida… eis a grande obra de Sua Ignorância, agora desmascarada: só 10% de imóveis entregues! Aliás, “imóveis” é nome pomposo para obras de baixa qualidade: em São Paulo, nas chuvas de meados de 2010, os andares térreos dos apartamentos foram inundados! Em Pedra de Guaratiba, as torneiras são de plástico, e não há piso! Aliás, por que andar térreo? E os velhos e bons prédios sobre pilotis? Ninguém mais constrói a partir do térreo, mas o Minha Casa, Minha DíVida, sim. A DíVida, aliás, é escorchante: antes os financiamentos eram feitos em 15 ou 20 anos pela Caixa; no MCMDV, o incauto comprador terá de pagar em 30 anos! Um negoção para a Caixa, uma boca livre para construtoras e incorporadoras, e uma baita DÍVIDA, para duas gerações!!! E mesmo sendo um negoção, elles não conseguiram entregar nem 10%!!! Vão ser incompetentes lá… nos EUA, onde o mesmo projeto imobiliário que dá crédito a quem não tem condições para cumprir o contrato, deu origem àquela crise de 2008!
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Falado ou escrito
Como já escrevi algumas vezes mostrando qualidades da Tv Record, e criticando severamente a Globo – coisa que vou fazer mais uma vez a seguir -, quero esclarecer que: 1 – pretendo criticar severamente também a Record; 2 – com certeza terei oportunidade de elogiar enfaticamente a Globo; 3 – praticamente não há o que falar das outras emissoras, acuadas pela baixíssima audiência, com programação irregular e bêsta (exceção feita à Band, que ainda respira). Falo aqui com os leitores como uma pessoa que vê tv, diariamente, e gosta de tv, e sofre com os pequenos e grandes defeitos da tv. Dito isso, vamos ao que interessa.
Deixemos de lado por um momento as imagens – a base de tudo na televisão. A impressão que se tem, ao acompanhar o noticiário, é: a Globo faz jornalismo escrito; a Record faz jornalismo falado. Vejam a postura dos apresentadores, por exemplo, do Esporte Espetacular – excelentes profissionais, diga-se, e enfatize-se que não é a qualidade deles que está em jogo. Mas percebemos um texto por trás de tudo o que dizem - um texto escrito. O que acaba por atrapalhar os excelentes apresentadores (mesmo que sejam eles mesmos a escrever o texto).
Vejam este exemplo: a apresentadora fala de alguém e quer dizer – porque está escrito - “ninguém menos do que Fulaninho!” Acontece que ninguém fala assim. É texto escrito – portanto, para se ler. Ela está lendo em voz alta para nós, e aí... vem o escorregão: “ninguém mais, menos... mais do que Fulaninho”. E aí você percebe que ela não está falando com você, mas lendo algo que é pura literatura. Dá assim um certo mal-estar no espectador, como quando você conversa com um erudito, uma pessoa super-culta, e a pessoa só de sacanagem começa a proferir palavras que você não conhece, ou repete frases, citações dos clássicos ou dados que você, pessoa comum, não domina – e ainda faz isso tudo com um nariz bem empinado. É mais ou menos essa a nossa sensação ao passar por este momento – sensação mesmo, algo não consciente, mas que incomoda... e pode acabar por nos levar ao controle remoto.
Já na Record você vê que às vezes o apresentador se enrola, mas se enrola porque está se comunicando com você, na maioria das vezes ao vivo. Claro que há um texto que ele está lendo, então qual a diferença? Por que perdoamos imediatamente a enrolação do rapaz – ou moça, tanto faz? Porque sentimos – novamente, é uma sensação, não consciente – que o apresentador não errou porque não leu direito um texto empolado e pretensioso (porque quer ser literatura). Ele escorregou porque está lendo, mas também está improvisando, está conversando com você, está te descrevendo um fato como uma pessoa qualquer descreve. Sem pose, sem nariz pra cima, sem pretensão.
Como no rádio – que já demonstrou ser, talvez, o melhor veículo de comunicação, o de maior alcance, o mais autêntico, presente, simples e direto -, o jornalismo da Record é falado. E falado com simplicidade, dando chance a que as imagens ganhem projeção, ganhem status, sejam imprescindíveis à compreensão do que se está noticiando – e com isso mostrando como e porque a tv não compete com o rádio, mas o complementa. Isso, claro, quando não se transforma em puro exercício de vaidade ou demonstração de erudição ou ainda apenas literatura, e não jornalismo.
Deixemos de lado por um momento as imagens – a base de tudo na televisão. A impressão que se tem, ao acompanhar o noticiário, é: a Globo faz jornalismo escrito; a Record faz jornalismo falado. Vejam a postura dos apresentadores, por exemplo, do Esporte Espetacular – excelentes profissionais, diga-se, e enfatize-se que não é a qualidade deles que está em jogo. Mas percebemos um texto por trás de tudo o que dizem - um texto escrito. O que acaba por atrapalhar os excelentes apresentadores (mesmo que sejam eles mesmos a escrever o texto).
Vejam este exemplo: a apresentadora fala de alguém e quer dizer – porque está escrito - “ninguém menos do que Fulaninho!” Acontece que ninguém fala assim. É texto escrito – portanto, para se ler. Ela está lendo em voz alta para nós, e aí... vem o escorregão: “ninguém mais, menos... mais do que Fulaninho”. E aí você percebe que ela não está falando com você, mas lendo algo que é pura literatura. Dá assim um certo mal-estar no espectador, como quando você conversa com um erudito, uma pessoa super-culta, e a pessoa só de sacanagem começa a proferir palavras que você não conhece, ou repete frases, citações dos clássicos ou dados que você, pessoa comum, não domina – e ainda faz isso tudo com um nariz bem empinado. É mais ou menos essa a nossa sensação ao passar por este momento – sensação mesmo, algo não consciente, mas que incomoda... e pode acabar por nos levar ao controle remoto.
Já na Record você vê que às vezes o apresentador se enrola, mas se enrola porque está se comunicando com você, na maioria das vezes ao vivo. Claro que há um texto que ele está lendo, então qual a diferença? Por que perdoamos imediatamente a enrolação do rapaz – ou moça, tanto faz? Porque sentimos – novamente, é uma sensação, não consciente – que o apresentador não errou porque não leu direito um texto empolado e pretensioso (porque quer ser literatura). Ele escorregou porque está lendo, mas também está improvisando, está conversando com você, está te descrevendo um fato como uma pessoa qualquer descreve. Sem pose, sem nariz pra cima, sem pretensão.
Como no rádio – que já demonstrou ser, talvez, o melhor veículo de comunicação, o de maior alcance, o mais autêntico, presente, simples e direto -, o jornalismo da Record é falado. E falado com simplicidade, dando chance a que as imagens ganhem projeção, ganhem status, sejam imprescindíveis à compreensão do que se está noticiando – e com isso mostrando como e porque a tv não compete com o rádio, mas o complementa. Isso, claro, quando não se transforma em puro exercício de vaidade ou demonstração de erudição ou ainda apenas literatura, e não jornalismo.
domingo, 19 de dezembro de 2010
Assim é um Líder
Íntegra da crônica Assim é um líder, de Nelson Rodrigues, publicado no jornal O Globo em 9 de janeiro de 1968. Publicada no blog de Augusto Nunes na veja.com, no quadro Feira Livre - uma lembrança pertinente.
O líder é um canalha. Dirá alguém que estou generalizando. Exato: estou generalizando. Vejam, por exemplo, Stalin. Ninguém mais líder. Lenin pode ser esquecido, Stalin, não. Um dia, os camponeses insinuaram uma resistência. Stalin não teve nem dúvida, nem pena. Matou, de forma punitiva, 12 milhões de camponeses. Nem mais, nem menos: – 12 milhões. Era uma maravilhoso canalha e, portanto, o líder opuro.
E não foi traído. Aí está o mistério que, realmente, não é mistério. É uma verdade historicamente demonstrada: – o canalha, quando investido de liderança, faz, inventa, aglutina e dinamiza as massas de canalhas. Façam a seguinte experiência: – ponham um santo na primeira esquina. Trepado num caixote, ele fala ao povo. Mas não convencerá ninguém, e repito: – ninguém o seguirá. Invertam a experiência e coloquem na mesma esquina, e em cima do mesmo caixote, um pulha indubitável. Instantaneamente, outros pulhas, legiões de pulhas, sairão atrás do chefe abjeto.
Mas, dizia eu que Stalin não foi traído, nem Hitler. O Führer, para morrer, teve de se matar. (Nem me falem do atentado dos generais grã-finos. Há uma só verdade: – nem o soldado alemão, nem o operário, nem o jovem, nem o velho, traíram Hitler.) E, quanto a Stalin, ninguém mais amado. Só Hitler foi tão amado. Aqui mesmo, no Brasil. Bem me lembro, durante a guerra, dos nossos stalinistas. Na queda de Paris, um deles veio-me dizer, de olho rútilo e lábio trêmulo: – “Hitler é muito mais revolucionário que a Inglaterra”.
Sim, o que se sentia, aqui, por Stalin, era uma dessas admirações hediondas. Eu via homens de voz grossa, barba cerrada, ênfase viril. Em cada um dos seus gestos, a masculinidade explodia. E, quando falavam de Stalin, eles se tornavam melífluos, como qualquer “travesti” do João Caetano ou do Teatro República. O que se sentia, por trás desse arrebatamento stalinista, era um amor quase físico, uma espécie de pederastia idealizada, utópica, sagrada. Com as mandíbulas trêmulas, uma salivação efervescente, os fanáticos chamavam o Guia de “o Velho”. E essa paixão era de um sublime ignóbil.
Já o Czar foi o antilíder. Há um quadro russo da matança da Família Imperial. (A pintura de lá, tanto a czarista, como a soviética, é puro Osvaldo Teixeira.) Eis o que nos mostra a tela: empilhados, numa bacanal de defuntos, o Czar, a Czarina, as princesinhas, etc., etc. Uns por cima dos outros, e cravejados de bala. Os soldados receberam a ordem e estouraram a cara dos velhos, das mocinhas, dos meninos. Mas não vamos assumir, aqui, nenhuma postura sentimental. Eis o que importa diser.
Na véspera de morrer, o nosso Nicolau entretinha-se na redação do seu diário. Fazia diário como qualquer heroína da Coleção das Moças. Reparem no antilíder, no anti-rei, no antitudo. No dia seguinte estariam à mostra os intestinos dele mesmo, as tripas da mulher, dos filhos, dos sobrinhos, dos netos. Mas ele não teve nenhum sentimento da morte. No jardim havia um “lago azul” como o da nossa canção naval. E, lá, dois ou três cisnes deslizavam mansamente. Um mundo já morria e outro ia nascer. E o Czar estava fascinado pelos cisnes, e a última página do diário era a eles dedicada. Um homem assim teria de ser exterminado a bala ou a pauladas, como uma ratazana.
Alguém lembrará a figura de Kennedy. Era um líder que preservava um mínimo de humanidade. Mas não era líder. Lembro-me da babá portuguesa da minha garotinha. Ao ver o retrato de Kennedy, gemeu com sotaque: – “Bonito como uma virgem”. Era um líder de luxo, isto é, um antilíder. Ao entrar na política, o pai, outro aristocrata, deu-lhe um cheque de um milhão de dólares. E mais: – Johnny casou-se com Jacqueline. E a mulher bonita é própria do falso líder. Nem Stalin, nem Hitler, fariam essa dupla concessão ao sentimento e ao sexo. Reexaminem toda a vida de Kennedy: – não foi, em momento nenhum de sua história e de sua lenda, um canalha. E não soube fazer pulhas para juntá-los em torno de sua liderança.
Pensem no pacto germano-soviético. Todos os que o aceitaram ou que ainda hoje o justificam eram e são perfeitos, irretocáveis canalhas. De um só lance, Stalin e Hitler degradaram toda uma época. Eis o que desejo ressaltar: – faltava a Kannedy essa capacidade de aviltar um povo. Ao passo que Stalin fez seu povo à imagem e semelhança da própria abjeção. Mas foi na morte que Kennedy demonstrou a ineficácia e falsidade de sua liderança.
O líder não morre antes, nem depois. O derrame escolheu a hora certa para matar Stalin. Hitler meteu uma bala na cabeça no momento justo em que precisava estourar os miolos. Waterloo aconteceu quando se esgotou a vitalidade histórica da era napoleônica. Se Lenin vivesse mais quinze dias, seria outro Trotski. E Kennedy caiu antes do tempo, morreu quando não tinha que morrer. Imaginem um cristo morto de coqueloche aos três anos. Não seria Cristo, não seria nada. Kennedy morreu ao lado da mulher bonita. E, de repente, veio a bala e arrancou-lhe o queixo, forte, crispado, vital. Restava tudo por fazer; o horizonte da reeleição abria-se diante dele. Esta morte antes do tempo mostrou que Kennedy não era Kennedy. O amor que lhe consagramos é um equívoco.
Falo, falo, e não sei bem por que estou dizendo tudo isso. Agora me lembro, Eu disse algo parecido ontem, num sarau de grã-finos. Não achem graça. Aprende-se muito no grã-finismo, e repito: certos grã-finos têm um sutil faro histórico, diria melhor, profético. Sentem, por vezes, antes dos outros, o que eu chamaria “odor da História”. E um desses estava-me dizendo, num canto, com uma convicção forte: – “Vai haver o diabo neste país”. Disse e fez um “suspense”. Instiguei-o: – “O diabo, como?” E ele, misterioso: – “Você não sente que vem por aí não sei o quê?” Esse “não sei o quê” era pouco para a minha fome. O grã-fino punha mais gelo no copo. Insinuou: – “”Há muita insatisfação”. Ainda era pouco. E eu queria saber, concretamente, o que vinha por aí. Perguntei: – “Sangue?” E o outro: cara a cara comigo e um ar de quem promete hemorragia nacional inédita: – “Sangue”.
Todavia, o “suspense” continuava. “Sangue”, dissera ele. Mas, quem ia derramar o sangue, e que sangue? Ainda olhei para os lados, como a procurar, entre os convidados, um possível Drácula. Quando, porém, o grã-fino falou em “esquerda”, a minha perplexidade não teve mais tamanho. Recuei dois passos avancei outros tantos e perguntei: – “Você acredita na nossa esquerda? Nessa que está aí?”
Ele acreditava. Então perdi a paciência e falei sem parar, Quem ia mudar qualquer coisa neste País? A esquerda tem um canalha para exercer uma liderança concreta e proveitosa? Senhoras entraram no debate. Fez-se, ali, uma alegre pesquisa de pulhas. Mas os canalhas lembrados eram, ao mesmo tempo, imbecis. E o que a história pedia era um crápula com seu toque de gênio. Em suma: não ocorria aos presentes um nome válido. A última palavra foi minha. Disse eu mais ou menos o seguinte: – enquanto a esquerda que aí está não for substituída até seu último idiota, não vai acontecer nada, rigorosamente nada.
Comentário de bijuxinthebox
- 19/12/2010 às 13:04
Por aqui, jamais se morrerá por falta de canalhas, que os há a cada tropeço em nossas mal calçadas calçadas. Nelson, tão citado e reverenciado pela esquerda, era sabidamente de direita. Aqui, ele é genialmente profético: Sua Insignificânia, o Canallha mor, construiu seu caminho ligando-se à pior escória da esquerda. Pois que há uma esquerda não canalha – e esta jamais terá vez, não tem uma liderança canalha, como os que hoje se fartam de poder. Nelson diz com todas as entrelinhas: é impossível ser de esquerda – pois esta ambiciona o poder e quando o tem não larga nunca – sem ser canalha. E é impossível vencer a esquerda sem ter à frente um bom, belo e competente canalha! Saudades de Toninho Malvadeza… a que ponto chegamos!!!
Interessante é que Nelson Rodrigues não erra em nada: na época, nã tínhamos ainda um canalha bem formado - apenas candidatos a canalhas, que se acanalharam, di com força, logo que tomaram o poder: Genoíno, o Zé, a Dama de Petróleo... Nada disso seria possível sem um líder de verdade, capaz de todas as ignomínias próprias do líder. E ele chegou em forma de Lula - e enganou um bocado, até assumir a forma atual, de Lulla, ao mostrar que sabe se valer de canalhas tão canallhas quanto elle - tipo Collor, Sarney et caterva.
O líder é um canalha. Dirá alguém que estou generalizando. Exato: estou generalizando. Vejam, por exemplo, Stalin. Ninguém mais líder. Lenin pode ser esquecido, Stalin, não. Um dia, os camponeses insinuaram uma resistência. Stalin não teve nem dúvida, nem pena. Matou, de forma punitiva, 12 milhões de camponeses. Nem mais, nem menos: – 12 milhões. Era uma maravilhoso canalha e, portanto, o líder opuro.
E não foi traído. Aí está o mistério que, realmente, não é mistério. É uma verdade historicamente demonstrada: – o canalha, quando investido de liderança, faz, inventa, aglutina e dinamiza as massas de canalhas. Façam a seguinte experiência: – ponham um santo na primeira esquina. Trepado num caixote, ele fala ao povo. Mas não convencerá ninguém, e repito: – ninguém o seguirá. Invertam a experiência e coloquem na mesma esquina, e em cima do mesmo caixote, um pulha indubitável. Instantaneamente, outros pulhas, legiões de pulhas, sairão atrás do chefe abjeto.
Mas, dizia eu que Stalin não foi traído, nem Hitler. O Führer, para morrer, teve de se matar. (Nem me falem do atentado dos generais grã-finos. Há uma só verdade: – nem o soldado alemão, nem o operário, nem o jovem, nem o velho, traíram Hitler.) E, quanto a Stalin, ninguém mais amado. Só Hitler foi tão amado. Aqui mesmo, no Brasil. Bem me lembro, durante a guerra, dos nossos stalinistas. Na queda de Paris, um deles veio-me dizer, de olho rútilo e lábio trêmulo: – “Hitler é muito mais revolucionário que a Inglaterra”.
Sim, o que se sentia, aqui, por Stalin, era uma dessas admirações hediondas. Eu via homens de voz grossa, barba cerrada, ênfase viril. Em cada um dos seus gestos, a masculinidade explodia. E, quando falavam de Stalin, eles se tornavam melífluos, como qualquer “travesti” do João Caetano ou do Teatro República. O que se sentia, por trás desse arrebatamento stalinista, era um amor quase físico, uma espécie de pederastia idealizada, utópica, sagrada. Com as mandíbulas trêmulas, uma salivação efervescente, os fanáticos chamavam o Guia de “o Velho”. E essa paixão era de um sublime ignóbil.
Já o Czar foi o antilíder. Há um quadro russo da matança da Família Imperial. (A pintura de lá, tanto a czarista, como a soviética, é puro Osvaldo Teixeira.) Eis o que nos mostra a tela: empilhados, numa bacanal de defuntos, o Czar, a Czarina, as princesinhas, etc., etc. Uns por cima dos outros, e cravejados de bala. Os soldados receberam a ordem e estouraram a cara dos velhos, das mocinhas, dos meninos. Mas não vamos assumir, aqui, nenhuma postura sentimental. Eis o que importa diser.
Na véspera de morrer, o nosso Nicolau entretinha-se na redação do seu diário. Fazia diário como qualquer heroína da Coleção das Moças. Reparem no antilíder, no anti-rei, no antitudo. No dia seguinte estariam à mostra os intestinos dele mesmo, as tripas da mulher, dos filhos, dos sobrinhos, dos netos. Mas ele não teve nenhum sentimento da morte. No jardim havia um “lago azul” como o da nossa canção naval. E, lá, dois ou três cisnes deslizavam mansamente. Um mundo já morria e outro ia nascer. E o Czar estava fascinado pelos cisnes, e a última página do diário era a eles dedicada. Um homem assim teria de ser exterminado a bala ou a pauladas, como uma ratazana.
Alguém lembrará a figura de Kennedy. Era um líder que preservava um mínimo de humanidade. Mas não era líder. Lembro-me da babá portuguesa da minha garotinha. Ao ver o retrato de Kennedy, gemeu com sotaque: – “Bonito como uma virgem”. Era um líder de luxo, isto é, um antilíder. Ao entrar na política, o pai, outro aristocrata, deu-lhe um cheque de um milhão de dólares. E mais: – Johnny casou-se com Jacqueline. E a mulher bonita é própria do falso líder. Nem Stalin, nem Hitler, fariam essa dupla concessão ao sentimento e ao sexo. Reexaminem toda a vida de Kennedy: – não foi, em momento nenhum de sua história e de sua lenda, um canalha. E não soube fazer pulhas para juntá-los em torno de sua liderança.
Pensem no pacto germano-soviético. Todos os que o aceitaram ou que ainda hoje o justificam eram e são perfeitos, irretocáveis canalhas. De um só lance, Stalin e Hitler degradaram toda uma época. Eis o que desejo ressaltar: – faltava a Kannedy essa capacidade de aviltar um povo. Ao passo que Stalin fez seu povo à imagem e semelhança da própria abjeção. Mas foi na morte que Kennedy demonstrou a ineficácia e falsidade de sua liderança.
O líder não morre antes, nem depois. O derrame escolheu a hora certa para matar Stalin. Hitler meteu uma bala na cabeça no momento justo em que precisava estourar os miolos. Waterloo aconteceu quando se esgotou a vitalidade histórica da era napoleônica. Se Lenin vivesse mais quinze dias, seria outro Trotski. E Kennedy caiu antes do tempo, morreu quando não tinha que morrer. Imaginem um cristo morto de coqueloche aos três anos. Não seria Cristo, não seria nada. Kennedy morreu ao lado da mulher bonita. E, de repente, veio a bala e arrancou-lhe o queixo, forte, crispado, vital. Restava tudo por fazer; o horizonte da reeleição abria-se diante dele. Esta morte antes do tempo mostrou que Kennedy não era Kennedy. O amor que lhe consagramos é um equívoco.
Falo, falo, e não sei bem por que estou dizendo tudo isso. Agora me lembro, Eu disse algo parecido ontem, num sarau de grã-finos. Não achem graça. Aprende-se muito no grã-finismo, e repito: certos grã-finos têm um sutil faro histórico, diria melhor, profético. Sentem, por vezes, antes dos outros, o que eu chamaria “odor da História”. E um desses estava-me dizendo, num canto, com uma convicção forte: – “Vai haver o diabo neste país”. Disse e fez um “suspense”. Instiguei-o: – “O diabo, como?” E ele, misterioso: – “Você não sente que vem por aí não sei o quê?” Esse “não sei o quê” era pouco para a minha fome. O grã-fino punha mais gelo no copo. Insinuou: – “”Há muita insatisfação”. Ainda era pouco. E eu queria saber, concretamente, o que vinha por aí. Perguntei: – “Sangue?” E o outro: cara a cara comigo e um ar de quem promete hemorragia nacional inédita: – “Sangue”.
Todavia, o “suspense” continuava. “Sangue”, dissera ele. Mas, quem ia derramar o sangue, e que sangue? Ainda olhei para os lados, como a procurar, entre os convidados, um possível Drácula. Quando, porém, o grã-fino falou em “esquerda”, a minha perplexidade não teve mais tamanho. Recuei dois passos avancei outros tantos e perguntei: – “Você acredita na nossa esquerda? Nessa que está aí?”
Ele acreditava. Então perdi a paciência e falei sem parar, Quem ia mudar qualquer coisa neste País? A esquerda tem um canalha para exercer uma liderança concreta e proveitosa? Senhoras entraram no debate. Fez-se, ali, uma alegre pesquisa de pulhas. Mas os canalhas lembrados eram, ao mesmo tempo, imbecis. E o que a história pedia era um crápula com seu toque de gênio. Em suma: não ocorria aos presentes um nome válido. A última palavra foi minha. Disse eu mais ou menos o seguinte: – enquanto a esquerda que aí está não for substituída até seu último idiota, não vai acontecer nada, rigorosamente nada.
Comentário de bijuxinthebox
- 19/12/2010 às 13:04
Por aqui, jamais se morrerá por falta de canalhas, que os há a cada tropeço em nossas mal calçadas calçadas. Nelson, tão citado e reverenciado pela esquerda, era sabidamente de direita. Aqui, ele é genialmente profético: Sua Insignificânia, o Canallha mor, construiu seu caminho ligando-se à pior escória da esquerda. Pois que há uma esquerda não canalha – e esta jamais terá vez, não tem uma liderança canalha, como os que hoje se fartam de poder. Nelson diz com todas as entrelinhas: é impossível ser de esquerda – pois esta ambiciona o poder e quando o tem não larga nunca – sem ser canalha. E é impossível vencer a esquerda sem ter à frente um bom, belo e competente canalha! Saudades de Toninho Malvadeza… a que ponto chegamos!!!
Interessante é que Nelson Rodrigues não erra em nada: na época, nã tínhamos ainda um canalha bem formado - apenas candidatos a canalhas, que se acanalharam, di com força, logo que tomaram o poder: Genoíno, o Zé, a Dama de Petróleo... Nada disso seria possível sem um líder de verdade, capaz de todas as ignomínias próprias do líder. E ele chegou em forma de Lula - e enganou um bocado, até assumir a forma atual, de Lulla, ao mostrar que sabe se valer de canalhas tão canallhas quanto elle - tipo Collor, Sarney et caterva.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
WikiLeaks, coisa de freaks
Nos anos 70, chamava-se de freak – do inglês freak, he, he, he – os bichos grilos, hippies, ripongos, quando essas pessoas extrapolavam até mesmo a loucura normal dessas tribos. Os caras que fizeram o WikiLeaks, com sua conturbada história envolvendo homossexualismo rebelde contra o exército americano da parte do fornecedor das informações roubadas e acusação de pedofilia por parte do sujeito que colocou tudo no ar, parecem se encaixar nessa categoria.
O freak era mais pro drogado, mas podia ser também alguém simplesmente sem noção. Acho que é o caso. Um homossexual revoltado por se sentir “inadequado” - segundo suas próprias palavras – no exército, em vez de procurar terapia decidiu resvalar para o crime, por motivo torpe: vingança. Do exército americano, dos americanos como ele, dos europeus de quebra, enfim, do mundo. Seja qual for a sua motivação, cometeu crime – roubando e divulgando informações sigilosas.
O outro, o principal vilão da história, parece ter um caráter ainda pior. Viu a oportunidade de ganhar muuuuita grana com esse ilícito – ou seja, lucrar em cima do homossexual em questão (que por mais que ganhe grana não chegará a ganhar o que o “pai” da coisa está faturando), e ainda conseguir patrocínio, e mais ainda prestígio internacional, como se estivesse nos fazendo um favor. Sua má ação caiu como uma luva entre os que semeiam o mais violento anti-americanismo.
Se não fosse por estarmos diante de fatos que sem dúvida estão sendo severamente investigados por gente séria – a justiça americana e a europeia, e não a brasileira, que sequer saberia o que fazer com a coisa toda – poderíamos pensar que toda a vida de todo cidadão está em risco. Mas com certeza não será assim. O tal do Assange está preso – embora não por este crime, mas por outro de igual ou maior periculosidade e imoralidade: ato de pedofilia cometido na Suécia.
Tem gente assanhada pra dar razão a este pirata moderno, inclusive o indefectível Lulla – que apenas segue a sua cartilha de sempre. Mas quem prefere não seguir cartilha nenhuma,é bom pensar bem. Se nem governos democráticos tiverem direito a segredos de diplomacia, estaremos indefesos diante de qualquer investida de aventureiros totalitários. Aliás, por que o Assange não foi cavucar os sigilos da diplomacia de Cuba, Coréia do Norte, Irã...?
O freak era mais pro drogado, mas podia ser também alguém simplesmente sem noção. Acho que é o caso. Um homossexual revoltado por se sentir “inadequado” - segundo suas próprias palavras – no exército, em vez de procurar terapia decidiu resvalar para o crime, por motivo torpe: vingança. Do exército americano, dos americanos como ele, dos europeus de quebra, enfim, do mundo. Seja qual for a sua motivação, cometeu crime – roubando e divulgando informações sigilosas.
O outro, o principal vilão da história, parece ter um caráter ainda pior. Viu a oportunidade de ganhar muuuuita grana com esse ilícito – ou seja, lucrar em cima do homossexual em questão (que por mais que ganhe grana não chegará a ganhar o que o “pai” da coisa está faturando), e ainda conseguir patrocínio, e mais ainda prestígio internacional, como se estivesse nos fazendo um favor. Sua má ação caiu como uma luva entre os que semeiam o mais violento anti-americanismo.
Se não fosse por estarmos diante de fatos que sem dúvida estão sendo severamente investigados por gente séria – a justiça americana e a europeia, e não a brasileira, que sequer saberia o que fazer com a coisa toda – poderíamos pensar que toda a vida de todo cidadão está em risco. Mas com certeza não será assim. O tal do Assange está preso – embora não por este crime, mas por outro de igual ou maior periculosidade e imoralidade: ato de pedofilia cometido na Suécia.
Tem gente assanhada pra dar razão a este pirata moderno, inclusive o indefectível Lulla – que apenas segue a sua cartilha de sempre. Mas quem prefere não seguir cartilha nenhuma,é bom pensar bem. Se nem governos democráticos tiverem direito a segredos de diplomacia, estaremos indefesos diante de qualquer investida de aventureiros totalitários. Aliás, por que o Assange não foi cavucar os sigilos da diplomacia de Cuba, Coréia do Norte, Irã...?
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
O tom é tudo
Tá bom, as forças policiais e militares fizeram, ao que parece, um bom serviço no Rio, apesar dos mais de 300 bandidos que escaparam – pelo menos é esta a opinião da população carioca, de modo geral. As tvs mostram todos os dias novas apreensões de drogas e armas. Não se viu mais tiroteio no Alemão – embora tenha havido rebu armado em outras favelas. Pessoas paradas pela reportagem parecem estar satisfeitas.
Digo parecem porque tenho visto que quando as pessoas custam um pouco a falar, os repórteres imediatamente passam a induzir respostas – afinal, tempo é tudo na tv, né? “Como o senhor vê este momento de paz? Está sentindo sensação de liberdade? Está achando que finalmente veio a paz na comunidade?” - assim se apressa a resposta do morador, ainda indeciso entre falar ou não, porque, afinal, ninguém sabe o dia de amanhã.
É, ninguém sabe... mas as tvs, os políticos, os militares e, claro, o governador, falam como se soubessem. O que está deixando o telespectador meio cabreiro, aposto, são estes elogios rasgados, esta disposição de agir como “escada” para que as autoridades apareçam bem na fita, estes salamaleques e louvações a todo momento. Sim, se fosse só um pouco a gente segurava, mas não, é a toda hora, por qualquer notíciazinha. E há ainda as matérias de repercussão, pautadas em cima do binômio crianças apavoradas & adultos bonzinhos e carentes.
Ontem, chegou-se ao suprassumo da babação de ovo mixada com a ignorância completa do que são as pessoas e as comunidades cariocas. Ao noticiar a chegada de doações, a repórter comovida disse: “Essas pessoas agora terão comida farta!!” Perecia que estava na Etiópia! Estão confundindo as paradas: ali mora gente que trabalha e geralmente tem tv a cabo, dvd, computador, e faz questão que suas meninas se vistam na moda, como qualquer família, e moram no morro porque lá têm tudo sem pagar quase nada – mesmo que para isso tenham de conviver com bandidos, o que não é culpa deles, pelo menos não totalmente.
Digo não totalmente porque, como se viu na tv, através de denúncias de moradores é que se apreendeu uma fábula de drogas, armas etc. Essas pessoas já sabiam disso há muito tempo, né não? Mas nada mais interessa: o Rio está livre, salve o Rio! Só tenho uma preocupação: o Rio precisa ir ao psiquiatra, psicanalista, psicólogo, enfim, tem de fazer terapia coletiva urgente. Da maneira que vem reagindo, indo da depressão à euforia em menos de dez segundos, como uma Ferrari de 0 a 100 km, o diagnóstico do Rio - a cidade, as tvs, os jornais, as autoridades, as crianças – bem, não sou especialista, mas ouso dizer: o Rio é bipolar!
Digo parecem porque tenho visto que quando as pessoas custam um pouco a falar, os repórteres imediatamente passam a induzir respostas – afinal, tempo é tudo na tv, né? “Como o senhor vê este momento de paz? Está sentindo sensação de liberdade? Está achando que finalmente veio a paz na comunidade?” - assim se apressa a resposta do morador, ainda indeciso entre falar ou não, porque, afinal, ninguém sabe o dia de amanhã.
É, ninguém sabe... mas as tvs, os políticos, os militares e, claro, o governador, falam como se soubessem. O que está deixando o telespectador meio cabreiro, aposto, são estes elogios rasgados, esta disposição de agir como “escada” para que as autoridades apareçam bem na fita, estes salamaleques e louvações a todo momento. Sim, se fosse só um pouco a gente segurava, mas não, é a toda hora, por qualquer notíciazinha. E há ainda as matérias de repercussão, pautadas em cima do binômio crianças apavoradas & adultos bonzinhos e carentes.
Ontem, chegou-se ao suprassumo da babação de ovo mixada com a ignorância completa do que são as pessoas e as comunidades cariocas. Ao noticiar a chegada de doações, a repórter comovida disse: “Essas pessoas agora terão comida farta!!” Perecia que estava na Etiópia! Estão confundindo as paradas: ali mora gente que trabalha e geralmente tem tv a cabo, dvd, computador, e faz questão que suas meninas se vistam na moda, como qualquer família, e moram no morro porque lá têm tudo sem pagar quase nada – mesmo que para isso tenham de conviver com bandidos, o que não é culpa deles, pelo menos não totalmente.
Digo não totalmente porque, como se viu na tv, através de denúncias de moradores é que se apreendeu uma fábula de drogas, armas etc. Essas pessoas já sabiam disso há muito tempo, né não? Mas nada mais interessa: o Rio está livre, salve o Rio! Só tenho uma preocupação: o Rio precisa ir ao psiquiatra, psicanalista, psicólogo, enfim, tem de fazer terapia coletiva urgente. Da maneira que vem reagindo, indo da depressão à euforia em menos de dez segundos, como uma Ferrari de 0 a 100 km, o diagnóstico do Rio - a cidade, as tvs, os jornais, as autoridades, as crianças – bem, não sou especialista, mas ouso dizer: o Rio é bipolar!
domingo, 28 de novembro de 2010
Lenda Urbana
A Batalha do Alemão
Em dez anos mais ou menos, essa Batalha do Alemão, a Batalha que Não Existiu, terá dado nascimento a uma nova lenda urbana. Jovens irão acreditar piamente que os 200 a 900 bandidos que estavam no Complexo do Alemão nesse dia desapareceram através de túneis construídos bem antes, e nunca mais foram vistos. Correrá a lenda de que quem descobrir esses túneis verá lá arsenais de armas, algumas quantidades de drogas e as ossadas de uma multidão de criminosos. Correrá o mito de que muitos deles morreram nos túneis e cavernas, de fome e de sede, mas meia dúzia deles teria escapado – e viveria das drogas do mesmo jeito, com outros nomes.
Este mito se inicia agora: onde, afinal, estão os bandidos? Quantos são? Quantos escaparam? Qual a importância dos que foram presos? Cadê os cadáveres que já estávamos nos preparando para ver, e rezando que fossem mais de criminosos do que de policiais. Nós, a plateia de uma espetacular jogada de marqueting; nós, os cidadãos emocionados declarando apoio aos bravos policiais; nós, os otários, colaborando com o tom cívico-patriótico emprestado pela Rede Globo à cobertura do evento; nós, os pacatos, ingênuos e até imbecis, estamos colaborando para o nascimento desta Lenda Urbana.
Os poucos acordados perguntam: cadê os bandidos? Mas são logo reprimidos pelos que desejam de toda alma acreditar. É proibido contestar. Engraçado é que até coisa de meses o carioca esculachava a polícia, o tempo todo, em qualquer de suas ações. Fico matutando:
1 – A série da tv Record Poder Paralelo mostrava que todo mundo sabia como funcionava o crime
2 – O filme Tropa de Elite mostrou como é dureza o trabalho da polícia
3 – O filme Tropa de Elite 2 pediu desculpas por qualquer mal entendido provocado pelo primeiro, e mostrava que estava antenado com os desdobramentos políticos da coisa
4 – Estas peças de jornalismo/arte parecem ter feito o povo despertar para o apoio à polícia – apoio que é devido, importante, mas não deveria fechar os olhos de ninguém...
Por que então jornais, revistas, tvs fecham os olhos para essa coisa esquisita que é o fato de que entre 200 e 900 bandidos – a respeitar as controversas avaliações da imprensa – simplesmente SUMIRAM? Tomaram DORIL?
Em dez anos mais ou menos, essa Batalha do Alemão, a Batalha que Não Existiu, terá dado nascimento a uma nova lenda urbana. Jovens irão acreditar piamente que os 200 a 900 bandidos que estavam no Complexo do Alemão nesse dia desapareceram através de túneis construídos bem antes, e nunca mais foram vistos. Correrá a lenda de que quem descobrir esses túneis verá lá arsenais de armas, algumas quantidades de drogas e as ossadas de uma multidão de criminosos. Correrá o mito de que muitos deles morreram nos túneis e cavernas, de fome e de sede, mas meia dúzia deles teria escapado – e viveria das drogas do mesmo jeito, com outros nomes.
Este mito se inicia agora: onde, afinal, estão os bandidos? Quantos são? Quantos escaparam? Qual a importância dos que foram presos? Cadê os cadáveres que já estávamos nos preparando para ver, e rezando que fossem mais de criminosos do que de policiais. Nós, a plateia de uma espetacular jogada de marqueting; nós, os cidadãos emocionados declarando apoio aos bravos policiais; nós, os otários, colaborando com o tom cívico-patriótico emprestado pela Rede Globo à cobertura do evento; nós, os pacatos, ingênuos e até imbecis, estamos colaborando para o nascimento desta Lenda Urbana.
Os poucos acordados perguntam: cadê os bandidos? Mas são logo reprimidos pelos que desejam de toda alma acreditar. É proibido contestar. Engraçado é que até coisa de meses o carioca esculachava a polícia, o tempo todo, em qualquer de suas ações. Fico matutando:
1 – A série da tv Record Poder Paralelo mostrava que todo mundo sabia como funcionava o crime
2 – O filme Tropa de Elite mostrou como é dureza o trabalho da polícia
3 – O filme Tropa de Elite 2 pediu desculpas por qualquer mal entendido provocado pelo primeiro, e mostrava que estava antenado com os desdobramentos políticos da coisa
4 – Estas peças de jornalismo/arte parecem ter feito o povo despertar para o apoio à polícia – apoio que é devido, importante, mas não deveria fechar os olhos de ninguém...
Por que então jornais, revistas, tvs fecham os olhos para essa coisa esquisita que é o fato de que entre 200 e 900 bandidos – a respeitar as controversas avaliações da imprensa – simplesmente SUMIRAM? Tomaram DORIL?
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Barriga de aluguel
Sobre o caso Bruno: moças rejeitadas, mal criadas, mal amadas, ou até moças bem nascidas e criadas, de uns tempos pra cá descobriram uma mina – em alguns casos, de ouro puro, em outros significando apenas não ter de trabalhar. É o conhecido golpe da barriga, de tantas e muitas vezes tristes histórias. Graças a uma legislação que, querendo fazer justiça a mulheres oprimidas, acabou por abrir brechas para ações as mais cínicas e perversas, instalou-se em cabeças femininas pouco desenvolvidas – ou corpos bem talhados, mas não para o trabalho – uma estratégia para alcançar fins puramente financeiros.
Essas moças alugam seus corpos e depois suas barrigas em troca, muitas vezes, de migalhas (verdade que, em alguns casos, migalhas de amor). Deturpam a lei, a seu favor, estilhaçam tudo o que resta de moral nos relacionamentos afetivos, enganam, trapaceiam, usam de subterfúgios muitas vezes ilegais ou indecentes. Fazem tudo errado, mas quando a corda arrebenta, não é do lado delas – nestes casos, não são elas as oprimidas, mas os homens sobre os quais lançam suas artimanhas.
Os homens, principalmente quando se trata de relacionamentos eventuais, não podem saber se a mulher que está com eles toma pílula – a maneira mais segura de prevenir uma gravidez indesejada. A camisinha? Ora, a camisinha! Quem é que a usa em todas as relações, todas mesmo? Além disso, mulheres mal intencionadas podem até mesmo colher sêmen em materiais descartados.
Não quero, e nem poderia, defender o goleiro Bruno, que tem demonstrado ser uma pessoa fria, e que parece estar totalmente enredado no suposto assassinato da moça Eliza. O que creio ser importante, e que não deve passar em branco, é que cada mulher pense nas consequências imprevisíveis que podem advir da sua irresponsabilidade. Dentro da normalidade, um sofrimento eterno para essa mãe – porque jamais irá conseguir tudo o que planejou; para a criança – que com certeza um dia saberá de que modo foi gerada; para duas famílias – a da garota e a de seu alvo – que jamais serão amigas, jamais criarão vínculos afetivos sinceros, e com certeza irão brigar o tempo todo.
Fora da normalidade, porém, ela pode se enredar com um candidato a psicopata... e sua vida estará em risco.
Essas moças alugam seus corpos e depois suas barrigas em troca, muitas vezes, de migalhas (verdade que, em alguns casos, migalhas de amor). Deturpam a lei, a seu favor, estilhaçam tudo o que resta de moral nos relacionamentos afetivos, enganam, trapaceiam, usam de subterfúgios muitas vezes ilegais ou indecentes. Fazem tudo errado, mas quando a corda arrebenta, não é do lado delas – nestes casos, não são elas as oprimidas, mas os homens sobre os quais lançam suas artimanhas.
Os homens, principalmente quando se trata de relacionamentos eventuais, não podem saber se a mulher que está com eles toma pílula – a maneira mais segura de prevenir uma gravidez indesejada. A camisinha? Ora, a camisinha! Quem é que a usa em todas as relações, todas mesmo? Além disso, mulheres mal intencionadas podem até mesmo colher sêmen em materiais descartados.
Não quero, e nem poderia, defender o goleiro Bruno, que tem demonstrado ser uma pessoa fria, e que parece estar totalmente enredado no suposto assassinato da moça Eliza. O que creio ser importante, e que não deve passar em branco, é que cada mulher pense nas consequências imprevisíveis que podem advir da sua irresponsabilidade. Dentro da normalidade, um sofrimento eterno para essa mãe – porque jamais irá conseguir tudo o que planejou; para a criança – que com certeza um dia saberá de que modo foi gerada; para duas famílias – a da garota e a de seu alvo – que jamais serão amigas, jamais criarão vínculos afetivos sinceros, e com certeza irão brigar o tempo todo.
Fora da normalidade, porém, ela pode se enredar com um candidato a psicopata... e sua vida estará em risco.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Afasta de Mim este Jabuti!
Interessante campanha formou-se espontaneamente no blog de Reinaldo Azevedo, em veja.com.br. De dias pra cá, o número de assinaturas na petição "Chico, Devolve o Jabuti" já passa dos 9000. Vocês devem estar sabendo: o Chico ganhou pela quarta vez o Prêmio Jabuti de Literatura, apesar de seu livro "Leite Derramado" ter chegado em segundo lugar na categoria Ficção, cujo vencedor foi Edney Silvestre, com "Se eu Fechasse os Olhos Agora".
Depois que o dono da Cia das Letras defendeu o lado do Chico, e o dono da concorrente defendeu a defesa deste - tá dando pra entender? parece leite derramado... - é que a coisa ferveu. Quem quiser se divertir, com tiradas bem humoradas - todas detonando o mais do que detonável Chico Buarque - é só acessar a veja.com.br e o blog do Tio Rei.
O engraçado é que a coisa foi num crescendo, nos comentários, e em até um samba enredo bem bolado, do leitor Leo, que escreveu às 20h31, no bloco - êpa! - que fala do Mico do Chico.
Depois que o dono da Cia das Letras defendeu o lado do Chico, e o dono da concorrente defendeu a defesa deste - tá dando pra entender? parece leite derramado... - é que a coisa ferveu. Quem quiser se divertir, com tiradas bem humoradas - todas detonando o mais do que detonável Chico Buarque - é só acessar a veja.com.br e o blog do Tio Rei.
O engraçado é que a coisa foi num crescendo, nos comentários, e em até um samba enredo bem bolado, do leitor Leo, que escreveu às 20h31, no bloco - êpa! - que fala do Mico do Chico.
sábado, 20 de novembro de 2010
Vai passar
Vai passar... Esta é a nossa sorte. E a de termos um povo que prefere sempre a paz, a liberdade e a arte a tudo o mais. Não fosse isso, e este monstrengo apelidado de, sei lá, comissão da verdade, dentro de um pacote esdrúxulo de direitos humanos mandado editar pelo governo ora em fase terminal, poderia vingar. Mas não vai vingar, tenho fé - e comigo muios defensores ferrenhos da democracia e da liberdade de expressão. Isso é mais uma “estranha catedral” que os detentores atuais do poder estão a tentar erguer... O samba popular na Avenida detesta totalitarismos, detesta invasores e odeia quem ousa mexer no seu sagrado direito de ser um cidadão livre de um país livre e democrático.
Quem é que...
... anda escrevendo as legendas, ou seja, pilotando o GC - gerador de caracteres? A impressão que se tem - e aí entram todos os canais, todos mesmo, até da TV assinada - é que chamam quem estiver por perto, o motoboy, o zelador, sei lá, para escrever as ditas cujas. O que se vê de erros gramaticais, de acentuação ou ortografia, de concordância, e até simples crimes contra o bom senso, não está no gibi. Será que é porque os jornalistas consideram esta uma função menor, a exemplo dos que são encarregados dos obituários nos jornais impressos? Ou será que é mesmo uma função menor, no organograma das redes, a ponto de significar salário vil e de ser ocupada por quem aprendeu muito pouco da língua portuguesa?
... inventou esse negócio de o apresentador ficar dizendo obrigado ao repórter? Pior: "obrigado pelas informações" - como se o repórter não estivesse ali exatamente para isso: passar as notícias. Outra coisa desagradável - e que toma preciosos segundos dos jornais de TV - é o tal do boa noite, fulano, que obriga o fulano a responder boa noite, sicrano - e ainda incluir os telespectadores no cumprimento. Isso quando se está careca de saber que, claro, o apresentador/editor já falou om o repórter antes, a coisa toda foi pautada em equipe etc. Fica forçado, fica afetado, toma o tempo dos fatos do dia. No meu tempo, chamava-se o repórter e pronto. Ele entrava e pronto. Sem firulas, sem gracinhas.
... consegue ver a cara do Britto Júnior, n'A Fazenda, sem morrer de rir lembrando da cara do Tom Cavalcanti n'O Curral?
Quem é que...
... anda escrevendo as legendas, ou seja, pilotando o GC - gerador de caracteres? A impressão que se tem - e aí entram todos os canais, todos mesmo, até da TV assinada - é que chamam quem estiver por perto, o motoboy, o zelador, sei lá, para escrever as ditas cujas. O que se vê de erros gramaticais, de acentuação ou ortografia, de concordância, e até simples crimes contra o bom senso, não está no gibi. Será que é porque os jornalistas consideram esta uma função menor, a exemplo dos que são encarregados dos obituários nos jornais impressos? Ou será que é mesmo uma função menor, no organograma das redes, a ponto de significar salário vil e de ser ocupada por quem aprendeu muito pouco da língua portuguesa?
... inventou esse negócio de o apresentador ficar dizendo obrigado ao repórter? Pior: "obrigado pelas informações" - como se o repórter não estivesse ali exatamente para isso: passar as notícias. Outra coisa desagradável - e que toma preciosos segundos dos jornais de TV - é o tal do boa noite, fulano, que obriga o fulano a responder boa noite, sicrano - e ainda incluir os telespectadores no cumprimento. Isso quando se está careca de saber que, claro, o apresentador/editor já falou om o repórter antes, a coisa toda foi pautada em equipe etc. Fica forçado, fica afetado, toma o tempo dos fatos do dia. No meu tempo, chamava-se o repórter e pronto. Ele entrava e pronto. Sem firulas, sem gracinhas.
... consegue ver a cara do Britto Júnior, n'A Fazenda, sem morrer de rir lembrando da cara do Tom Cavalcanti n'O Curral?
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
A pressa é inimiga...
Não entendo o motivo, mas a Globo – principalmente no Fantástico e no Altas Horas, como em alguns jornais - deu agora pra fazer matérias rapidinhas, que acabam por nos deixar sem entender bem o que foi veiculado ali. Vocês sabem, as coisas na tv entram por um olho e saem pelo outro. O que a gente vê se sobrepõe ao que a gente ouve. Quando imagens e falas são rápidas demais, perde-se o fio da meada.
No Altas Horas do último sábado (6-11), por exemplo, mostrou-se um evento de premiação comandado pelo próprio Serginho Groisman, dono do programão da madrugada de sábado para domingo. Ficamos meio sem saber direito quem foi premiado, e por que, num flash que durou, acho, menos de meio minuto. A figura do Serginho apareceu muito mais, nesse tempinho, do que os premiados. A coisa foi tão séria que não me lembro nem qual foi o evento. Será que é o meu Alzheimer de estimação? Será que quem viu o programa também sentiu o mesmo, isto é, nada, porque ficou sem informação completa?
Aliás, não entendo também por que não se utilizam os diversos recursos hoje tão à mão para deixar na tela, num cantinho, o local onde o fato aconteceu (Vitória da Conquista, BA; São Paulo, SP; ou nos jornais locais Botafogo, Rio de Janeiro; Barra, Rio). Sei que eles colocam uma vinheta logo no início da matéria, ocupando uma faixa da tela, mas sugiro que coloquem um quadradinho ou redondinho pequeno, com essas informações, presente o tempo todo na tela. Porque se a gente perdeu o início, temos como saber onde se passa a ação.
Quanto à rapidez com que a Globo trata seus assuntos, escrevi o seguinte, há coisa de uns meses:
Vai ser bom, não foi?Está parecendo que a Globo contratou tanta gente que sua grade de programação não está dando vazão. Deve ser por isso que criaram-se programas-relâmpago - o que fatalmente nos remete ao sequestro-relâmpago, pois na verdade somos sequestrados por alguns minutos, tentando gostar do que estamos vendo. Mas como a coisa - Vida Alheia, Força Tarefa, Separação, agora Clandestinos, Hospital Maluco ou coisa que o valha - não nos sequestra a atenção, mudamos de canal. Ao constatar que não há nada pior, nem muito menos melhor, nos outros canais, voltamos... e o programinha da Globo já acabou! É como a piada do coelhinho: "vai ser bom, não foi?"
Pois é...
No Altas Horas do último sábado (6-11), por exemplo, mostrou-se um evento de premiação comandado pelo próprio Serginho Groisman, dono do programão da madrugada de sábado para domingo. Ficamos meio sem saber direito quem foi premiado, e por que, num flash que durou, acho, menos de meio minuto. A figura do Serginho apareceu muito mais, nesse tempinho, do que os premiados. A coisa foi tão séria que não me lembro nem qual foi o evento. Será que é o meu Alzheimer de estimação? Será que quem viu o programa também sentiu o mesmo, isto é, nada, porque ficou sem informação completa?
Aliás, não entendo também por que não se utilizam os diversos recursos hoje tão à mão para deixar na tela, num cantinho, o local onde o fato aconteceu (Vitória da Conquista, BA; São Paulo, SP; ou nos jornais locais Botafogo, Rio de Janeiro; Barra, Rio). Sei que eles colocam uma vinheta logo no início da matéria, ocupando uma faixa da tela, mas sugiro que coloquem um quadradinho ou redondinho pequeno, com essas informações, presente o tempo todo na tela. Porque se a gente perdeu o início, temos como saber onde se passa a ação.
Quanto à rapidez com que a Globo trata seus assuntos, escrevi o seguinte, há coisa de uns meses:
Vai ser bom, não foi?Está parecendo que a Globo contratou tanta gente que sua grade de programação não está dando vazão. Deve ser por isso que criaram-se programas-relâmpago - o que fatalmente nos remete ao sequestro-relâmpago, pois na verdade somos sequestrados por alguns minutos, tentando gostar do que estamos vendo. Mas como a coisa - Vida Alheia, Força Tarefa, Separação, agora Clandestinos, Hospital Maluco ou coisa que o valha - não nos sequestra a atenção, mudamos de canal. Ao constatar que não há nada pior, nem muito menos melhor, nos outros canais, voltamos... e o programinha da Globo já acabou! É como a piada do coelhinho: "vai ser bom, não foi?"
Pois é...
domingo, 7 de novembro de 2010
Vovó vê TV
A vovó é do tempo em que se “passava” um telex ou um fax, do tempo em que se “abria” uma padaria (ou qualquer outro negócio), e que se dizia “é uma brasa, mora!” Por isso, não estranhem sua maneira peculiar de se expressar.
- Ver TV, que sempre foi um divertimento, com altos e baixos, claro, mas sempre entretendo o público, de repente virou uma atividade árdua, pois a pobreza da programação, e o contrabando representado pelo merchandise livre e solto, nos deixam sem opções. Parece que a rainha do merchandise é a Sonia Abramo, pois quando ela recupera a respiração, depois de falar pra chuchu, corre po balcão e... fala mais ainda, em causa própria e da Rede Tv, vendendo alguma coisa. São muuuitas inserções de balcão por programa, algumas logo depois de voltar dos comerciais. É dureza!
- Acho que isso é prioridade 1-A: as redes de TV aberta são concessões e devem ao público uma programação, seja boa ou ruim. O que não pode é a gente ligar a TV e ver que muitas das emissoras estão passando programas de vendas ou de fé. Temos direito a programas que pelo menos tenham feito alguns profissionais gastarem um pouquinho de fosfato, e a rede um pouquinho de dinheiro, para nos agradar. Mesmo que os programas sejam ruins, qualquer coisa é melhor do que as aberrações que põem na tela... e que não vemos, pois logo trocamos de canal... mas ficamos restringidos a um ou dois deles. Vou passar um e-mail pra a Band, a Rede Tv e... até a Rede Brasil, estatal, quem diria!, e que nos deixa à mercê de vendedores de bugigangas.
- Ver TV, que sempre foi um divertimento, com altos e baixos, claro, mas sempre entretendo o público, de repente virou uma atividade árdua, pois a pobreza da programação, e o contrabando representado pelo merchandise livre e solto, nos deixam sem opções. Parece que a rainha do merchandise é a Sonia Abramo, pois quando ela recupera a respiração, depois de falar pra chuchu, corre po balcão e... fala mais ainda, em causa própria e da Rede Tv, vendendo alguma coisa. São muuuitas inserções de balcão por programa, algumas logo depois de voltar dos comerciais. É dureza!
- Acho que isso é prioridade 1-A: as redes de TV aberta são concessões e devem ao público uma programação, seja boa ou ruim. O que não pode é a gente ligar a TV e ver que muitas das emissoras estão passando programas de vendas ou de fé. Temos direito a programas que pelo menos tenham feito alguns profissionais gastarem um pouquinho de fosfato, e a rede um pouquinho de dinheiro, para nos agradar. Mesmo que os programas sejam ruins, qualquer coisa é melhor do que as aberrações que põem na tela... e que não vemos, pois logo trocamos de canal... mas ficamos restringidos a um ou dois deles. Vou passar um e-mail pra a Band, a Rede Tv e... até a Rede Brasil, estatal, quem diria!, e que nos deixa à mercê de vendedores de bugigangas.
TV TODO DIA
Considerações sobre o que a gente vê quando vê TV
Emoções caras
As últimas semanas nos ofereceram muuuitas emoções: as batalhas Serra-Dilma, com lances de causar bocejos de dez em dez segundos – dá pra contar pelo reloginho dos debates – nos fizeram apelar seguidamente para o controle remoto … inutilmente, como se verá a seguir.
Também emocionantes, de dar friozinho na barriga (e ânsias de vômito) foram as belas cenas de um bando de jovens sarados engolindo baratas e outros insetos fascinantes – e quem sabe até deliciosos?
Mas nada se compara às emoções vividas diariamente com o programa A Fazenda. Tentar adivinhar se quem será defenestrado na semana é o Judas, o Menino-boi, a Fruta Grande, a Atriz, o Menino Maluquinho (ops! é Mallandrinho!), que coisa desgastante para o nosso cérebro de telespectador! Muito mais do que discernir entre os destinos da Petrobras nas mãos de Dilma ou o destino da Petrobras nas mãos de Serra (eu disse mãos, e não garras, o que tornaria o texto muito mais emocionante... mas a gente também se contamina com a “baixada de bola” geral dos srs. Candidatos).
Mas, dirá o telespectador que tem sky (ou qualquer das ofertadoras de tv por assinatura), sempre há opções na tv fechada. Bem, além de ser fechada – defeito terrível – e paga a preços muito além dos benefícios (hein?) que oferece, a tv por assinatura nestas semanas nos ofereceram: um filme velho e ainda por cima europeu sobre as Cruzadas, história velha e conhecida --- muuuito emocionante; a Drew Barrymore pela enésima vez em filminho de amorzinho (evidentemente, americano); três ou quatro filminhos de adolescentezinhos malvados (obviamente americanos); o indefectível filme de vampiro da semana. Fora os jornais, que são iguaizinhos aos jornais da tv aberta.
Diante disso, arrisco-me e dizer que nossas emocionantes emoções diárias com a tv são as mais caras do mundo. Custam-nos tempo, dinheiro, paciência, capacidade de indignação, sentimentos verdadeiros diante de informações verdadeiras. Custam-nos a vida, vivida todo dia diante da tv – em maior ou menor grau, todos nos sentamos em algum momento do dia para ver tv, quase sempre para relaxar. Então, fica combinado assim: pode relaxar, são muuuuuuito poucas emoções.
Emoções caras
As últimas semanas nos ofereceram muuuitas emoções: as batalhas Serra-Dilma, com lances de causar bocejos de dez em dez segundos – dá pra contar pelo reloginho dos debates – nos fizeram apelar seguidamente para o controle remoto … inutilmente, como se verá a seguir.
Também emocionantes, de dar friozinho na barriga (e ânsias de vômito) foram as belas cenas de um bando de jovens sarados engolindo baratas e outros insetos fascinantes – e quem sabe até deliciosos?
Mas nada se compara às emoções vividas diariamente com o programa A Fazenda. Tentar adivinhar se quem será defenestrado na semana é o Judas, o Menino-boi, a Fruta Grande, a Atriz, o Menino Maluquinho (ops! é Mallandrinho!), que coisa desgastante para o nosso cérebro de telespectador! Muito mais do que discernir entre os destinos da Petrobras nas mãos de Dilma ou o destino da Petrobras nas mãos de Serra (eu disse mãos, e não garras, o que tornaria o texto muito mais emocionante... mas a gente também se contamina com a “baixada de bola” geral dos srs. Candidatos).
Mas, dirá o telespectador que tem sky (ou qualquer das ofertadoras de tv por assinatura), sempre há opções na tv fechada. Bem, além de ser fechada – defeito terrível – e paga a preços muito além dos benefícios (hein?) que oferece, a tv por assinatura nestas semanas nos ofereceram: um filme velho e ainda por cima europeu sobre as Cruzadas, história velha e conhecida --- muuuito emocionante; a Drew Barrymore pela enésima vez em filminho de amorzinho (evidentemente, americano); três ou quatro filminhos de adolescentezinhos malvados (obviamente americanos); o indefectível filme de vampiro da semana. Fora os jornais, que são iguaizinhos aos jornais da tv aberta.
Diante disso, arrisco-me e dizer que nossas emocionantes emoções diárias com a tv são as mais caras do mundo. Custam-nos tempo, dinheiro, paciência, capacidade de indignação, sentimentos verdadeiros diante de informações verdadeiras. Custam-nos a vida, vivida todo dia diante da tv – em maior ou menor grau, todos nos sentamos em algum momento do dia para ver tv, quase sempre para relaxar. Então, fica combinado assim: pode relaxar, são muuuuuuito poucas emoções.
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