quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Algo de Podre

O Carlos Vereza nos sugere ler Hamlet, em seu excelente blog. Nada mais adequado, para quem não tem problemas com a leitura - hoje, creio, a maioria dos jovens. A obra é verdadeira aula emocionada e emocionante sobre relações de poder.
Vendo a foto de Dilma, a presidente, recebendo os cumprimentos do auto-proclamado "bispo" Edir Macedo, e seu fiel escudeiro na Record, Douglas Tavolaro, me ocorreu de pronto a frase célebre: "Há algo de podre no Reino da Dinamarca", claro, do Hamlet, de William Shakespeare. Nenhum outro alto representante de empresa de comunicação teve esta pachorra, de se apresentar no beija-mão. Tanto que o cerimonial correu a achar um lugar entre os estadistas estrangeiros para enfiar os dois. Para dizer a verdade, creio mesmo que muitos dos atuais capachos do poder nas tvs, jornais, rádios e revistas devem ter pensado "como não pensei nisso também?" Porém a nata do jornalismo - que isso existe, gente, existe imprensa boa, é só procurar - deve ter-se contorcido de risos (ou se revirado no túmulo, caso de Roberto Marinho, por exemplo, que mesmo apostando nitidamente todas as suas fichas em um político ou governante, nunca foi tão explícito, e procurou manter a dignidade).
Pena que isto tudo escape à maioria dos brasileiros. Me lembro de que na Escola Normal Carmela Dutra, em que me formei professora, certa vez ganhei um concurso porqúe fui a ÚNICA, é, a ÚNICA entre centenas de normalistas a escrever corretamente o nome do bardo inglês. Foi em alguma comemoração sobre Shakespeare, sob o comando do excelente professor jornalista Dimas Joseph, do Jornal do Brasil. Ele ficou tão entusiasmado, que me levou para estagiar no JB.
Digo isso pra vocês verem que mesmo naquela época distante já o ensino era ruim, e os alunos, desinteressados disléxicos comportamentais (gente que não lê direito de propósito porque não se interessa por nada, uma marca dos dias de hoje - e não só entre jovens). É dessas pessoas que nós somos reféns, muito mais do que dos políticos. Elas não têm bússola, radar, si mancol, nem faro, para desconfiar que alguma coisa está, como dizer sem ferir suscetibilidades? ... fedendo!

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