Morri. Meu último pensamento enquanto estava viva foi: “Por que não tinha em casa, bem à mão, uma pistola, revólver ou mesmo uma espingarda de chumbinho? Eu teria me defendido, teria com certeza espantado os caras assim que entraram no meu jardim...”
Por que me deixei seduzir pela ladainha vigente, difundida alegremente pela tv, que assegura que desarmando “todo mundo” os bandidos que portassem armas seriam facilmente pegos? E que uma cidade, estado ou país se veria livre da violência tão logo os cidadãos de bem entregassem suas armas de defesa? Que as estatísticas seriam bem mais “amigáveis” se “todos” ganhassem uma merreca para entregar suas armas de fogo às autoridades policiais?
Cedi às pressões do bom-mocismo, do politicamente correto, da “cidadania”. Nem me lembrei de perguntar por que, nos países onde a posse de uma arma é um direito, como os EUA, os índices de criminalidade são muito mais baixos do que no Brasil? Ou por que nos países onde criminosos são detidos, julgados, condenados e presos, onde não há distorções no trato com as leis, onde a Lei é mantida, temida e aplaudida, os criminosos pensam duas vezes antes de cometer um homicídio?
Dois dos caras eram “de menor” - o que de antemão, no nosso País, lhes dá grande liberdade para cometer qualquer tipo de delito, já que não vão pagar pena alguma – a não ser ficar no ócio durante algum tempinho em uma dessas repúblicas de jovens bandidos que foram apelidadas de “fundação Casa” (só se for a da Mãe Joana, né?).
Os caras chegaram arrebentando, chutando a cachorrinha e esganando a pobre, pegando esta velha pelo pescoço, gritando “onde tá a grana”, batendo, dando socos, porrada braba, até que um deles, vendo que não havia dinheiro, tirou do cinto uma 9 mm e...
Meu último pensamento não me dá nenhuma chance de ir para o Céu. Meu último pensamento me remete diretamente ao inferno: “Por que entreguei a arma que seria minha defesa? Eu poderia ter dado um teco nesses bandidos logo que passaram do portão (que pularam, sob os latidos frenéticos da boa cachorrinha Donna). Mesmo que ainda assim eles continuassem o assalto, eu pelo menos teria a alegria de não morrer sozinha, mas levar um, dois ou os três criminosos comigo”.
Mas morri. Os dois menores, “crianças que podem ser recuperadas”, confessaram e foram para a tal “Casa”, onde terão cama, comida, roupa lavada, tv e até mesmo drogas à vontade. O outro, maior, já tinha “várias passagens” pela Polícia, já tinha sido preso, e estava solto para passar um feriado com a “família” (o bando de criminosos do qual faz parte, com certeza). Este vai pegar 30 anos, vai cumprir 5 anos – se não sair antes num feriado qualquer... para matar outra velha – e desaparecer.
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