A Batalha do Alemão
Em dez anos mais ou menos, essa Batalha do Alemão, a Batalha que Não Existiu, terá dado nascimento a uma nova lenda urbana. Jovens irão acreditar piamente que os 200 a 900 bandidos que estavam no Complexo do Alemão nesse dia desapareceram através de túneis construídos bem antes, e nunca mais foram vistos. Correrá a lenda de que quem descobrir esses túneis verá lá arsenais de armas, algumas quantidades de drogas e as ossadas de uma multidão de criminosos. Correrá o mito de que muitos deles morreram nos túneis e cavernas, de fome e de sede, mas meia dúzia deles teria escapado – e viveria das drogas do mesmo jeito, com outros nomes.
Este mito se inicia agora: onde, afinal, estão os bandidos? Quantos são? Quantos escaparam? Qual a importância dos que foram presos? Cadê os cadáveres que já estávamos nos preparando para ver, e rezando que fossem mais de criminosos do que de policiais. Nós, a plateia de uma espetacular jogada de marqueting; nós, os cidadãos emocionados declarando apoio aos bravos policiais; nós, os otários, colaborando com o tom cívico-patriótico emprestado pela Rede Globo à cobertura do evento; nós, os pacatos, ingênuos e até imbecis, estamos colaborando para o nascimento desta Lenda Urbana.
Os poucos acordados perguntam: cadê os bandidos? Mas são logo reprimidos pelos que desejam de toda alma acreditar. É proibido contestar. Engraçado é que até coisa de meses o carioca esculachava a polícia, o tempo todo, em qualquer de suas ações. Fico matutando:
1 – A série da tv Record Poder Paralelo mostrava que todo mundo sabia como funcionava o crime
2 – O filme Tropa de Elite mostrou como é dureza o trabalho da polícia
3 – O filme Tropa de Elite 2 pediu desculpas por qualquer mal entendido provocado pelo primeiro, e mostrava que estava antenado com os desdobramentos políticos da coisa
4 – Estas peças de jornalismo/arte parecem ter feito o povo despertar para o apoio à polícia – apoio que é devido, importante, mas não deveria fechar os olhos de ninguém...
Por que então jornais, revistas, tvs fecham os olhos para essa coisa esquisita que é o fato de que entre 200 e 900 bandidos – a respeitar as controversas avaliações da imprensa – simplesmente SUMIRAM? Tomaram DORIL?
domingo, 28 de novembro de 2010
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Barriga de aluguel
Sobre o caso Bruno: moças rejeitadas, mal criadas, mal amadas, ou até moças bem nascidas e criadas, de uns tempos pra cá descobriram uma mina – em alguns casos, de ouro puro, em outros significando apenas não ter de trabalhar. É o conhecido golpe da barriga, de tantas e muitas vezes tristes histórias. Graças a uma legislação que, querendo fazer justiça a mulheres oprimidas, acabou por abrir brechas para ações as mais cínicas e perversas, instalou-se em cabeças femininas pouco desenvolvidas – ou corpos bem talhados, mas não para o trabalho – uma estratégia para alcançar fins puramente financeiros.
Essas moças alugam seus corpos e depois suas barrigas em troca, muitas vezes, de migalhas (verdade que, em alguns casos, migalhas de amor). Deturpam a lei, a seu favor, estilhaçam tudo o que resta de moral nos relacionamentos afetivos, enganam, trapaceiam, usam de subterfúgios muitas vezes ilegais ou indecentes. Fazem tudo errado, mas quando a corda arrebenta, não é do lado delas – nestes casos, não são elas as oprimidas, mas os homens sobre os quais lançam suas artimanhas.
Os homens, principalmente quando se trata de relacionamentos eventuais, não podem saber se a mulher que está com eles toma pílula – a maneira mais segura de prevenir uma gravidez indesejada. A camisinha? Ora, a camisinha! Quem é que a usa em todas as relações, todas mesmo? Além disso, mulheres mal intencionadas podem até mesmo colher sêmen em materiais descartados.
Não quero, e nem poderia, defender o goleiro Bruno, que tem demonstrado ser uma pessoa fria, e que parece estar totalmente enredado no suposto assassinato da moça Eliza. O que creio ser importante, e que não deve passar em branco, é que cada mulher pense nas consequências imprevisíveis que podem advir da sua irresponsabilidade. Dentro da normalidade, um sofrimento eterno para essa mãe – porque jamais irá conseguir tudo o que planejou; para a criança – que com certeza um dia saberá de que modo foi gerada; para duas famílias – a da garota e a de seu alvo – que jamais serão amigas, jamais criarão vínculos afetivos sinceros, e com certeza irão brigar o tempo todo.
Fora da normalidade, porém, ela pode se enredar com um candidato a psicopata... e sua vida estará em risco.
Essas moças alugam seus corpos e depois suas barrigas em troca, muitas vezes, de migalhas (verdade que, em alguns casos, migalhas de amor). Deturpam a lei, a seu favor, estilhaçam tudo o que resta de moral nos relacionamentos afetivos, enganam, trapaceiam, usam de subterfúgios muitas vezes ilegais ou indecentes. Fazem tudo errado, mas quando a corda arrebenta, não é do lado delas – nestes casos, não são elas as oprimidas, mas os homens sobre os quais lançam suas artimanhas.
Os homens, principalmente quando se trata de relacionamentos eventuais, não podem saber se a mulher que está com eles toma pílula – a maneira mais segura de prevenir uma gravidez indesejada. A camisinha? Ora, a camisinha! Quem é que a usa em todas as relações, todas mesmo? Além disso, mulheres mal intencionadas podem até mesmo colher sêmen em materiais descartados.
Não quero, e nem poderia, defender o goleiro Bruno, que tem demonstrado ser uma pessoa fria, e que parece estar totalmente enredado no suposto assassinato da moça Eliza. O que creio ser importante, e que não deve passar em branco, é que cada mulher pense nas consequências imprevisíveis que podem advir da sua irresponsabilidade. Dentro da normalidade, um sofrimento eterno para essa mãe – porque jamais irá conseguir tudo o que planejou; para a criança – que com certeza um dia saberá de que modo foi gerada; para duas famílias – a da garota e a de seu alvo – que jamais serão amigas, jamais criarão vínculos afetivos sinceros, e com certeza irão brigar o tempo todo.
Fora da normalidade, porém, ela pode se enredar com um candidato a psicopata... e sua vida estará em risco.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Afasta de Mim este Jabuti!
Interessante campanha formou-se espontaneamente no blog de Reinaldo Azevedo, em veja.com.br. De dias pra cá, o número de assinaturas na petição "Chico, Devolve o Jabuti" já passa dos 9000. Vocês devem estar sabendo: o Chico ganhou pela quarta vez o Prêmio Jabuti de Literatura, apesar de seu livro "Leite Derramado" ter chegado em segundo lugar na categoria Ficção, cujo vencedor foi Edney Silvestre, com "Se eu Fechasse os Olhos Agora".
Depois que o dono da Cia das Letras defendeu o lado do Chico, e o dono da concorrente defendeu a defesa deste - tá dando pra entender? parece leite derramado... - é que a coisa ferveu. Quem quiser se divertir, com tiradas bem humoradas - todas detonando o mais do que detonável Chico Buarque - é só acessar a veja.com.br e o blog do Tio Rei.
O engraçado é que a coisa foi num crescendo, nos comentários, e em até um samba enredo bem bolado, do leitor Leo, que escreveu às 20h31, no bloco - êpa! - que fala do Mico do Chico.
Depois que o dono da Cia das Letras defendeu o lado do Chico, e o dono da concorrente defendeu a defesa deste - tá dando pra entender? parece leite derramado... - é que a coisa ferveu. Quem quiser se divertir, com tiradas bem humoradas - todas detonando o mais do que detonável Chico Buarque - é só acessar a veja.com.br e o blog do Tio Rei.
O engraçado é que a coisa foi num crescendo, nos comentários, e em até um samba enredo bem bolado, do leitor Leo, que escreveu às 20h31, no bloco - êpa! - que fala do Mico do Chico.
sábado, 20 de novembro de 2010
Vai passar
Vai passar... Esta é a nossa sorte. E a de termos um povo que prefere sempre a paz, a liberdade e a arte a tudo o mais. Não fosse isso, e este monstrengo apelidado de, sei lá, comissão da verdade, dentro de um pacote esdrúxulo de direitos humanos mandado editar pelo governo ora em fase terminal, poderia vingar. Mas não vai vingar, tenho fé - e comigo muios defensores ferrenhos da democracia e da liberdade de expressão. Isso é mais uma “estranha catedral” que os detentores atuais do poder estão a tentar erguer... O samba popular na Avenida detesta totalitarismos, detesta invasores e odeia quem ousa mexer no seu sagrado direito de ser um cidadão livre de um país livre e democrático.
Quem é que...
... anda escrevendo as legendas, ou seja, pilotando o GC - gerador de caracteres? A impressão que se tem - e aí entram todos os canais, todos mesmo, até da TV assinada - é que chamam quem estiver por perto, o motoboy, o zelador, sei lá, para escrever as ditas cujas. O que se vê de erros gramaticais, de acentuação ou ortografia, de concordância, e até simples crimes contra o bom senso, não está no gibi. Será que é porque os jornalistas consideram esta uma função menor, a exemplo dos que são encarregados dos obituários nos jornais impressos? Ou será que é mesmo uma função menor, no organograma das redes, a ponto de significar salário vil e de ser ocupada por quem aprendeu muito pouco da língua portuguesa?
... inventou esse negócio de o apresentador ficar dizendo obrigado ao repórter? Pior: "obrigado pelas informações" - como se o repórter não estivesse ali exatamente para isso: passar as notícias. Outra coisa desagradável - e que toma preciosos segundos dos jornais de TV - é o tal do boa noite, fulano, que obriga o fulano a responder boa noite, sicrano - e ainda incluir os telespectadores no cumprimento. Isso quando se está careca de saber que, claro, o apresentador/editor já falou om o repórter antes, a coisa toda foi pautada em equipe etc. Fica forçado, fica afetado, toma o tempo dos fatos do dia. No meu tempo, chamava-se o repórter e pronto. Ele entrava e pronto. Sem firulas, sem gracinhas.
... consegue ver a cara do Britto Júnior, n'A Fazenda, sem morrer de rir lembrando da cara do Tom Cavalcanti n'O Curral?
Quem é que...
... anda escrevendo as legendas, ou seja, pilotando o GC - gerador de caracteres? A impressão que se tem - e aí entram todos os canais, todos mesmo, até da TV assinada - é que chamam quem estiver por perto, o motoboy, o zelador, sei lá, para escrever as ditas cujas. O que se vê de erros gramaticais, de acentuação ou ortografia, de concordância, e até simples crimes contra o bom senso, não está no gibi. Será que é porque os jornalistas consideram esta uma função menor, a exemplo dos que são encarregados dos obituários nos jornais impressos? Ou será que é mesmo uma função menor, no organograma das redes, a ponto de significar salário vil e de ser ocupada por quem aprendeu muito pouco da língua portuguesa?
... inventou esse negócio de o apresentador ficar dizendo obrigado ao repórter? Pior: "obrigado pelas informações" - como se o repórter não estivesse ali exatamente para isso: passar as notícias. Outra coisa desagradável - e que toma preciosos segundos dos jornais de TV - é o tal do boa noite, fulano, que obriga o fulano a responder boa noite, sicrano - e ainda incluir os telespectadores no cumprimento. Isso quando se está careca de saber que, claro, o apresentador/editor já falou om o repórter antes, a coisa toda foi pautada em equipe etc. Fica forçado, fica afetado, toma o tempo dos fatos do dia. No meu tempo, chamava-se o repórter e pronto. Ele entrava e pronto. Sem firulas, sem gracinhas.
... consegue ver a cara do Britto Júnior, n'A Fazenda, sem morrer de rir lembrando da cara do Tom Cavalcanti n'O Curral?
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
A pressa é inimiga...
Não entendo o motivo, mas a Globo – principalmente no Fantástico e no Altas Horas, como em alguns jornais - deu agora pra fazer matérias rapidinhas, que acabam por nos deixar sem entender bem o que foi veiculado ali. Vocês sabem, as coisas na tv entram por um olho e saem pelo outro. O que a gente vê se sobrepõe ao que a gente ouve. Quando imagens e falas são rápidas demais, perde-se o fio da meada.
No Altas Horas do último sábado (6-11), por exemplo, mostrou-se um evento de premiação comandado pelo próprio Serginho Groisman, dono do programão da madrugada de sábado para domingo. Ficamos meio sem saber direito quem foi premiado, e por que, num flash que durou, acho, menos de meio minuto. A figura do Serginho apareceu muito mais, nesse tempinho, do que os premiados. A coisa foi tão séria que não me lembro nem qual foi o evento. Será que é o meu Alzheimer de estimação? Será que quem viu o programa também sentiu o mesmo, isto é, nada, porque ficou sem informação completa?
Aliás, não entendo também por que não se utilizam os diversos recursos hoje tão à mão para deixar na tela, num cantinho, o local onde o fato aconteceu (Vitória da Conquista, BA; São Paulo, SP; ou nos jornais locais Botafogo, Rio de Janeiro; Barra, Rio). Sei que eles colocam uma vinheta logo no início da matéria, ocupando uma faixa da tela, mas sugiro que coloquem um quadradinho ou redondinho pequeno, com essas informações, presente o tempo todo na tela. Porque se a gente perdeu o início, temos como saber onde se passa a ação.
Quanto à rapidez com que a Globo trata seus assuntos, escrevi o seguinte, há coisa de uns meses:
Vai ser bom, não foi?Está parecendo que a Globo contratou tanta gente que sua grade de programação não está dando vazão. Deve ser por isso que criaram-se programas-relâmpago - o que fatalmente nos remete ao sequestro-relâmpago, pois na verdade somos sequestrados por alguns minutos, tentando gostar do que estamos vendo. Mas como a coisa - Vida Alheia, Força Tarefa, Separação, agora Clandestinos, Hospital Maluco ou coisa que o valha - não nos sequestra a atenção, mudamos de canal. Ao constatar que não há nada pior, nem muito menos melhor, nos outros canais, voltamos... e o programinha da Globo já acabou! É como a piada do coelhinho: "vai ser bom, não foi?"
Pois é...
No Altas Horas do último sábado (6-11), por exemplo, mostrou-se um evento de premiação comandado pelo próprio Serginho Groisman, dono do programão da madrugada de sábado para domingo. Ficamos meio sem saber direito quem foi premiado, e por que, num flash que durou, acho, menos de meio minuto. A figura do Serginho apareceu muito mais, nesse tempinho, do que os premiados. A coisa foi tão séria que não me lembro nem qual foi o evento. Será que é o meu Alzheimer de estimação? Será que quem viu o programa também sentiu o mesmo, isto é, nada, porque ficou sem informação completa?
Aliás, não entendo também por que não se utilizam os diversos recursos hoje tão à mão para deixar na tela, num cantinho, o local onde o fato aconteceu (Vitória da Conquista, BA; São Paulo, SP; ou nos jornais locais Botafogo, Rio de Janeiro; Barra, Rio). Sei que eles colocam uma vinheta logo no início da matéria, ocupando uma faixa da tela, mas sugiro que coloquem um quadradinho ou redondinho pequeno, com essas informações, presente o tempo todo na tela. Porque se a gente perdeu o início, temos como saber onde se passa a ação.
Quanto à rapidez com que a Globo trata seus assuntos, escrevi o seguinte, há coisa de uns meses:
Vai ser bom, não foi?Está parecendo que a Globo contratou tanta gente que sua grade de programação não está dando vazão. Deve ser por isso que criaram-se programas-relâmpago - o que fatalmente nos remete ao sequestro-relâmpago, pois na verdade somos sequestrados por alguns minutos, tentando gostar do que estamos vendo. Mas como a coisa - Vida Alheia, Força Tarefa, Separação, agora Clandestinos, Hospital Maluco ou coisa que o valha - não nos sequestra a atenção, mudamos de canal. Ao constatar que não há nada pior, nem muito menos melhor, nos outros canais, voltamos... e o programinha da Globo já acabou! É como a piada do coelhinho: "vai ser bom, não foi?"
Pois é...
domingo, 7 de novembro de 2010
Vovó vê TV
A vovó é do tempo em que se “passava” um telex ou um fax, do tempo em que se “abria” uma padaria (ou qualquer outro negócio), e que se dizia “é uma brasa, mora!” Por isso, não estranhem sua maneira peculiar de se expressar.
- Ver TV, que sempre foi um divertimento, com altos e baixos, claro, mas sempre entretendo o público, de repente virou uma atividade árdua, pois a pobreza da programação, e o contrabando representado pelo merchandise livre e solto, nos deixam sem opções. Parece que a rainha do merchandise é a Sonia Abramo, pois quando ela recupera a respiração, depois de falar pra chuchu, corre po balcão e... fala mais ainda, em causa própria e da Rede Tv, vendendo alguma coisa. São muuuitas inserções de balcão por programa, algumas logo depois de voltar dos comerciais. É dureza!
- Acho que isso é prioridade 1-A: as redes de TV aberta são concessões e devem ao público uma programação, seja boa ou ruim. O que não pode é a gente ligar a TV e ver que muitas das emissoras estão passando programas de vendas ou de fé. Temos direito a programas que pelo menos tenham feito alguns profissionais gastarem um pouquinho de fosfato, e a rede um pouquinho de dinheiro, para nos agradar. Mesmo que os programas sejam ruins, qualquer coisa é melhor do que as aberrações que põem na tela... e que não vemos, pois logo trocamos de canal... mas ficamos restringidos a um ou dois deles. Vou passar um e-mail pra a Band, a Rede Tv e... até a Rede Brasil, estatal, quem diria!, e que nos deixa à mercê de vendedores de bugigangas.
- Ver TV, que sempre foi um divertimento, com altos e baixos, claro, mas sempre entretendo o público, de repente virou uma atividade árdua, pois a pobreza da programação, e o contrabando representado pelo merchandise livre e solto, nos deixam sem opções. Parece que a rainha do merchandise é a Sonia Abramo, pois quando ela recupera a respiração, depois de falar pra chuchu, corre po balcão e... fala mais ainda, em causa própria e da Rede Tv, vendendo alguma coisa. São muuuitas inserções de balcão por programa, algumas logo depois de voltar dos comerciais. É dureza!
- Acho que isso é prioridade 1-A: as redes de TV aberta são concessões e devem ao público uma programação, seja boa ou ruim. O que não pode é a gente ligar a TV e ver que muitas das emissoras estão passando programas de vendas ou de fé. Temos direito a programas que pelo menos tenham feito alguns profissionais gastarem um pouquinho de fosfato, e a rede um pouquinho de dinheiro, para nos agradar. Mesmo que os programas sejam ruins, qualquer coisa é melhor do que as aberrações que põem na tela... e que não vemos, pois logo trocamos de canal... mas ficamos restringidos a um ou dois deles. Vou passar um e-mail pra a Band, a Rede Tv e... até a Rede Brasil, estatal, quem diria!, e que nos deixa à mercê de vendedores de bugigangas.
TV TODO DIA
Considerações sobre o que a gente vê quando vê TV
Emoções caras
As últimas semanas nos ofereceram muuuitas emoções: as batalhas Serra-Dilma, com lances de causar bocejos de dez em dez segundos – dá pra contar pelo reloginho dos debates – nos fizeram apelar seguidamente para o controle remoto … inutilmente, como se verá a seguir.
Também emocionantes, de dar friozinho na barriga (e ânsias de vômito) foram as belas cenas de um bando de jovens sarados engolindo baratas e outros insetos fascinantes – e quem sabe até deliciosos?
Mas nada se compara às emoções vividas diariamente com o programa A Fazenda. Tentar adivinhar se quem será defenestrado na semana é o Judas, o Menino-boi, a Fruta Grande, a Atriz, o Menino Maluquinho (ops! é Mallandrinho!), que coisa desgastante para o nosso cérebro de telespectador! Muito mais do que discernir entre os destinos da Petrobras nas mãos de Dilma ou o destino da Petrobras nas mãos de Serra (eu disse mãos, e não garras, o que tornaria o texto muito mais emocionante... mas a gente também se contamina com a “baixada de bola” geral dos srs. Candidatos).
Mas, dirá o telespectador que tem sky (ou qualquer das ofertadoras de tv por assinatura), sempre há opções na tv fechada. Bem, além de ser fechada – defeito terrível – e paga a preços muito além dos benefícios (hein?) que oferece, a tv por assinatura nestas semanas nos ofereceram: um filme velho e ainda por cima europeu sobre as Cruzadas, história velha e conhecida --- muuuito emocionante; a Drew Barrymore pela enésima vez em filminho de amorzinho (evidentemente, americano); três ou quatro filminhos de adolescentezinhos malvados (obviamente americanos); o indefectível filme de vampiro da semana. Fora os jornais, que são iguaizinhos aos jornais da tv aberta.
Diante disso, arrisco-me e dizer que nossas emocionantes emoções diárias com a tv são as mais caras do mundo. Custam-nos tempo, dinheiro, paciência, capacidade de indignação, sentimentos verdadeiros diante de informações verdadeiras. Custam-nos a vida, vivida todo dia diante da tv – em maior ou menor grau, todos nos sentamos em algum momento do dia para ver tv, quase sempre para relaxar. Então, fica combinado assim: pode relaxar, são muuuuuuito poucas emoções.
Emoções caras
As últimas semanas nos ofereceram muuuitas emoções: as batalhas Serra-Dilma, com lances de causar bocejos de dez em dez segundos – dá pra contar pelo reloginho dos debates – nos fizeram apelar seguidamente para o controle remoto … inutilmente, como se verá a seguir.
Também emocionantes, de dar friozinho na barriga (e ânsias de vômito) foram as belas cenas de um bando de jovens sarados engolindo baratas e outros insetos fascinantes – e quem sabe até deliciosos?
Mas nada se compara às emoções vividas diariamente com o programa A Fazenda. Tentar adivinhar se quem será defenestrado na semana é o Judas, o Menino-boi, a Fruta Grande, a Atriz, o Menino Maluquinho (ops! é Mallandrinho!), que coisa desgastante para o nosso cérebro de telespectador! Muito mais do que discernir entre os destinos da Petrobras nas mãos de Dilma ou o destino da Petrobras nas mãos de Serra (eu disse mãos, e não garras, o que tornaria o texto muito mais emocionante... mas a gente também se contamina com a “baixada de bola” geral dos srs. Candidatos).
Mas, dirá o telespectador que tem sky (ou qualquer das ofertadoras de tv por assinatura), sempre há opções na tv fechada. Bem, além de ser fechada – defeito terrível – e paga a preços muito além dos benefícios (hein?) que oferece, a tv por assinatura nestas semanas nos ofereceram: um filme velho e ainda por cima europeu sobre as Cruzadas, história velha e conhecida --- muuuito emocionante; a Drew Barrymore pela enésima vez em filminho de amorzinho (evidentemente, americano); três ou quatro filminhos de adolescentezinhos malvados (obviamente americanos); o indefectível filme de vampiro da semana. Fora os jornais, que são iguaizinhos aos jornais da tv aberta.
Diante disso, arrisco-me e dizer que nossas emocionantes emoções diárias com a tv são as mais caras do mundo. Custam-nos tempo, dinheiro, paciência, capacidade de indignação, sentimentos verdadeiros diante de informações verdadeiras. Custam-nos a vida, vivida todo dia diante da tv – em maior ou menor grau, todos nos sentamos em algum momento do dia para ver tv, quase sempre para relaxar. Então, fica combinado assim: pode relaxar, são muuuuuuito poucas emoções.
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